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Parafusar estantes, instalar cortinas, trocar torneiras, consertar encanamentos, substituir interruptores e pintar paredes são tarefas do cotidiano doméstico quase sempre desempenhadas por homens. Mas, no Distrito Federal, tem sido cada vez mais comum ver anúncios de mulheres que decidiram arregaçar as mangas e assumir esse tipo de serviço, colocando sua mão de obra à disposição exclusivamente de outras brasilienses.

Quem investe no filão percebeu que – apesar de precisarem desse tipo de trabalho, e com certa frequência –, muitas moradoras das cidades do DF não estavam dispostas a colocar um desconhecido dentro de casa ou, simplesmente, ficavam mais à vontade com outras mulheres as auxiliando. Ponto para quem faz e para quem contrata os serviços das “maridas de aluguel”, que estão se multiplicando pelas regiões administrativas.

Há cerca de quatro meses, a artista plástica e professora Cecília Bona, 37 anos, resolveu abrir a própria empresa: Bona Serviços Gerais Para Mulheres no Distrito Federal. A ideia surgiu pelo gosto em descobrir como fazer as coisas e em ajudar sempre com demandas de amigas.

“Eu montava exposições, já furava paredes e fazia diversos tipos de instalações. Mas a chave, de fato, virou quando a minha geladeira pifou e o rapaz cobrou R$ 500 para consertar”, recordou Cecília. “Eu dispensei, fui até uma loja de ferramentas, trouxe o material necessário para casa e deixei ela [a geladeira] em perfeito estado para uso”, detalhou, com orgulho.

Para Cecília, passar a oferecer o serviço para outras mulheres é algo realmente importante. “Existe um preconceito, mas estou preparada. Sempre há comentários pequenos de gente que não enxerga o nosso potencial, mas é preciso seguir em frente. Atender mulheres é muito compensador, elas se identificam conosco”, acrescentou.

 

 

Experiência negativa
Com medo de receber orçamentos inflados ou de sofrer assédio durante a visita de um profissional, o público feminino começa a dar preferência a prestadoras de serviços. A troca de um botijão de gás de cozinha fez com que a advogada Karina de Almeida, 29, decidisse que só escolheria mulheres para fazer os serviços necessários em sua residência.

Estava sozinha em casa quando o entregador chegou para trocar o gás e perguntou se eu estava só. Me senti ameaçada e, desde então, nunca mais chamei homens para fazer algo em casa. Além de me sentir mais segura com mulheres, elas são mais jeitosas com as clientes"
Karina de Almeida, advogada e cliente das prestadoras de reparos domésticos

Uma publicação compartilhada nas redes sociais foi determinante para que a professora de sociologia Denise Caixeta, 24, resolvesse criar a própria empresa de manutenção residencial, a Denise Repara. “Eu havia visto que uma moradora de São Paulo estava divulgando na internet o trabalho de reparos para mulheres. Como tinha as mesmas habilidades, me interessei e entrei em contato por telefone com ela, que me incentivou a abrir o meu negócio também”, contou Denise.

Desde a abertura da empresa, em 2015, as solicitações de atendimento pela internet e por serviços de mensagem instantâneas não param, afirmou a profissional. Os valores dos reparos variam de acordo com a complexidade do serviço a ser executado. Por uma visita mais simples e um conserto rápido, Denise cobra cerca de R$ 50.

“Fica muito mais cômodo para as clientes chamarem uma mulher, pois existe toda uma logística de horário para chamar um homem quando se está sozinha em casa. As clientes ficam confortáveis comigo e, além disso, eu sempre costumo explicar passo a passo do que estou fazendo. É um sinal de respeito por quem te contratou”, destacou Denise.

A seguir, algumas orientações para as brasilienses interessadas em executar, por conta própria, alguns reparos domésticos:

 

Indicação
Para as interessadas em contratar os serviços da Bona ou da Denise Reparos, basta entrar em contato por meio dos seguintes sites e números telefônicos:

Denise Repara
https://www.facebook.com/deniserepara/
(61) 98341-1885

Cecília Bona
https://www.facebook.com/bonaservicos/
(61) 98131-8223

 

 

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