Propina paga por empreiteira no DF irrigava falsos contratos e festas

Delatores da Andrade Gutierrez contam à delegada da Polícia Federal como maquiavam o dinheiro de propina pago em troca da obra do Mané

atualizado

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1 de 1 - Foto: Carlos Carone/Metrópoles

Os investigadores da Polícia Federal que apuram o esquema criminoso responsável por desviar R$ 900 milhões da obra de construção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha identificaram as três formas usadas pela quadrilha para maquiar o pagamento de propina. Uma delas envolvia a assinatura de contratos de fachada com escritórios de advocacia com o pretexto de prestar falsos serviços de consultoria.

De acordo com a chefe da Delegacia de Inquéritos Especiais (Delinq), Fernanda Costa de Oliveira, os contratos eram fictícios e tinham como objetivo “esquentar” o dinheiro que seria repassado aos integrantes do esquema. “Os suspeitos presos na operação recebiam esses repasses da mesma forma que a quadrilha do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) recebia”, comparou a delegada.

Outro método fraudulento descoberto pela PF para esconder o pagamento da propina consistia no financiamento de eventos das mais diversas naturezas. Shows, jogos de futebol e festas eram bancadas pelas empreiteiras para escoar o dinheiro. “Convites para partidas de futebol era um jeito de pagar a propina, por exemplo”, explicou Fernanda Costa de Oliveira.

Demandas variadas

Nas delações premiadas assinadas por altos executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, o pagamento de propina por meio dos eventos foi reforçado. No depoimento de Carlos José de Souza, ele conta ter sido procurado pelo ex-governador Agnelo Queiroz (PT) em diversas oportunidades para atender a “demandas variadas”.

Uma delas seria o pagamento de fornecedores e prestadores de serviços. A Andrade Gutierrez deveria arcar com custos como a locação de camarotes para a Copa das Confederações – ocorrida em 2013 –, confecção de camisas de futebol, patrocínio do livro “Nasce um gigante” e até de uma quermesse.

O livro foi confeccionado pelo consórcio formado por Andrade Gutierrez e Via Engenharia e exemplares foram repassados ao GDF. Agnelo costumava entregá-lo a visitantes ilustres, representantes de outros estados e pessoas que se interessavam em conhecer o passo a passo da construção do Mané Garrincha.

Reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro executivo da Andrade Gutierrez também afirmou, em sua delação, que o petista pedia o pagamento de propina por meio da realização de eventos. Segundo o depoimento de Clovis Renato Numa Primo, “as exigências de Agnelo não eram de valores fixos em dinheiro, mas sim do pagamento de eventos para o GDF. O valor pago saía de caixa 2 da Andrade Gutierrez.”

Nesta terça-feira (23/5), os ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda (PR), o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e outras sete pessoas foram presas durante a Operação Panatenaico, deflagrada pela Polícia Federal. A suspeita é de que o grupo tenha recebido pelo menos R$ 15 milhões em propina durante a execução da obra do estádio.

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