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Depois de uma temporada preso no Paraná, o primeiro preso da Operação Lava Jato, o empresário Carlos Habib Chater, voltou a Brasília em outubro e, desde então, dá expediente normal no Posto da Torre. O empreendimento de sua propriedade deu origem e inspirou o nome da operação deflagrada há exatos três anos pela Polícia Federal. Segundo os promotores da Lava Jato, era ali que empresários e políticos firmavam os acordos investigados na operação.

O site G1 publicou nesta sexta-feira (17) entrevista com o empresário. Condenado a 5 anos e 6 meses de cadeia por lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e repasse de propinas a políticos, Carlos Habib Chater ficou três anos encarcerado no Paraná e, agora, cumpre pena em regime aberto. Ele afirmou ao site não temer novas prisões.

“Já achei que a minha primeira [prisão] não foi muito dentro da lei. Ter uma segunda ou uma terceira não me surpreenderia. No Brasil, tudo é possível”"
Carlos Habib Chater, primeiro preso da Lava Jato

Ao contrário de outras empresas envolvidas na Lava Jato, segundo a reportagem, o posto localizado no Setor Hoteleiro Sul, uma das áreas nobres de Brasília, não parece ter perdido negócios com a operação. O movimento continua tão intenso quanto a três anos atrás, quando “além de encher o tanque dos carros oficiais, os políticos do Congresso Nacional iam ali para abastecer os cofres com propina da Petrobras”, recorda o G1.

Dólares, drogas e política
Apesar do protagonismo na Lava Jato, Chater é uma figura pouco conhecida no Distrito Federal. Conhecê-lo, no entanto, se mostra fundamental para entender a investigação e o submundo das conexões políticas e empresariais desvendadas pela operação.

Há dois anos, a extinta revista Veja Brasília publicava a matéria Sujo e Mal Lavado, que trazia um perfil detalhado de Carlos Habib Chater. A reportagem, da atual diretora de redação do Metrópoles, Lilian Tahan, detalhava a longeva carreira do personagem como doleiro em Brasília, sua lista de empresas (“todas elas amparadas em contratos falsos e em nome de laranjas”), seu envolvimento com o tráfico internacional de drogas e as inserções no submundo da corrupção da política nacional.

“Os incidentes familiares associados às ações furtivas nunca desencorajaram esses libaneses, que alicerçaram sua trajetória de prosperidade na capital entre quibes, esfihas e dólares furados”, dizia trecho da reportagem da Veja. Na conversa com o G1 publicada nesta sexta-feira, Chater parece concordar: “A minha vida inteira foi de muito trabalho de sol a sol, apesar de a opinião púbica não acreditar”.

O Posto da Torre é a prova física da verve “empreendedora” da família. Funciona quase como um centro comercial. Ali, nunca teve um lava jato, mas há pastelaria, lavanderia, bar e loja de conveniência. Todos empreendimentos, de acordo com as acusações, operados por laranjas dos Chaters. Durante anos, por ali só era aceito dinheiro vivo, o que servia para facilitar a lavagem de recursos irregulares, segundo o Ministério Público. Hoje, o posto já aceita cartões.

“Fui alvo de difamação. Na casa de câmbio (hoje fechada), por exemplo, nunca teve operação irregular. A história dos cartões também é uma grande falácia”, reclamou ao G1. “O Ministério Público não fez o dever de casa […] Mas acabou. Não tenho mais nada para dizer. Quero esquecer o que aconteceu e viver em paz”, destacou o primeiro preso da Lava Jato, que ainda guarda muitos segredos sobre a corrupção e o tráfico de influência na capital.

 

 

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