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Em um intervalo de poucos dias, a carteira de trabalho da técnica em enfermagem Ana Paula Honorato, 28 anos, recebeu dois registros no mês de abril deste ano. Em uma quinta-feira, foi anotada a saída de um emprego. Na segunda seguinte, o documento recebeu o carimbo de ingresso em um novo posto. “Saí de um e já entrei no outro”, comemora. Há quatro anos trabalhando na área de saúde, a brasiliense nunca experimentou o desemprego. “A cada dia abrem mais clínicas e hospitais. Na verdade, a gente fica sabendo é que está faltando mão de obra”, comenta.

Mesmo com a crise econômica que assola o país, a atividade de Ana Paula está entre as ocupações cujas ofertas de vagas apresentaram crescimento significativo no Distrito Federal em 2017. Levantamento realizado pelo Metrópoles aponta que as profissões de telemarketing, técnico em enfermagem e faxineiro foram as que mais abriram oportunidades de trabalho nas cidades brasilienses (confira abaixo).

 

A classificação tem como parâmetro o saldo de empregos, ou seja, o resultado entre o número de contratações subtraído pelas demissões de cada setor, e é referente ao período entre janeiro e julho de 2017. A base das informações é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, que contabiliza apenas os postos de trabalho formais.

O crescimento dessas áreas acompanha o recuo do desemprego no Distrito Federal. Embora ainda negativo, o saldo de 1.471 demissões a mais do que contratações representa um crescimento de 90,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, que registrou uma retração de 15.840 postos.

Nível técnico
Entre as profissões em alta, destacam-se as que exigem capacitação técnica, como alimentador de linha de produção, recreador e recepcionista. No ranking, apenas as ocupações de médico clínico e de enfermeiro, com 383 e 339 novas vagas, respectivamente, são de nível superior. O segmento de serviços lidera o número de contratações (veja, a seguir, divisão por setor produtivo), com um saldo positivo de 2.453 novas posições.

Para o professor aposentado do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Pinho, existe historicamente uma grande demanda por profissionais de nível técnico no país.

O Brasil abandonou durante muito tempo o ensino técnico. E isso teve um custo muito alto. Hoje, às vezes, por não ter o técnico, ou você traz alguém de fora ou pega um cara com ensino superior"
Jorge Pinho, professor aposentado da UnB

Migração
É o caso da secretária-executiva Antonia da Silva Oliveira, 45 anos. Desligada no final de 2016 da antiga empresa onde trabalhava, após uma redução no quadro de funcionários, ela permaneceu desempregada por três meses. Nesse período, procurou, sem sucesso, empregos que exigissem o diploma de nível superior.

“Mandava o meu currículo, procurava todo dia, mas só surgiam vagas de técnico. Então pensei ‘bom, se não está aparecendo, vou me encaixar nessa vaga aqui, não vou ficar escolhendo’”, lembra. Desde março, Antonia é contratada pelo Ministério da Educação (MEC) na função de técnica em secretariado.

Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, as profissões de nível técnico oferecem hoje, por vezes, salários compatíveis com os de nível superior. E representam uma boa alternativa para quem deseja se inserir no mercado de trabalho. “A pessoa vai entrar mais cedo, vai ter uma posição bem remunerada e pode prosseguir com seus estudos”, argumenta Lucchesi.

 

 

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