Do deserto à montanha: as expedições da primeira rodada da Libertas-2016
Localizada no coração do deserto do Atacama, distante mil quilômetros de Santiago do Chile e a dois mil metros de altitude, a cidade de El Salvador foi fundada em 1959. Quando um pequeno agrupamento informal de mineiros, criado em torno de mineradoras americanas ali implantadas, ganhou traçado urbano, amplas avenidas, lotes demarcados e casas de […]
atualizado
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Localizada no coração do deserto do Atacama, distante mil quilômetros de Santiago do Chile e a dois mil metros de altitude, a cidade de El Salvador foi fundada em 1959. Quando um pequeno agrupamento informal de mineiros, criado em torno de mineradoras americanas ali implantadas, ganhou traçado urbano, amplas avenidas, lotes demarcados e casas de alvenaria. Ganhou até aeroporto para o transporte de carga e de passageiros.
A economia do lugar girava exclusivamente em torno das minas de cobre e é assim ainda hoje. Em seu apogeu, na década de 1980, El Salvador chegou a ter quinze mil habitantes. Hoje são contados oito mil. Peritos em mineração calculam que as reservas de cobre da região estarão exauridas até 2021.
Esta cidadezinha tem o Club Deportes Cobresal, adversário mercurial do Cobreloa, da cidade de Calama. O Cobresal tem um mínimo currículo internacional. Mas registros documentais e a história oral do futebol dão conta de que o Cobreloa cumpriu destacado papel na Taça Libertadores da América de 1981, quando disputou (e perdeu de forma não muito gloriosa) a final diante do lendário Flamengo de Zico. Por puro espírito de birra desportiva, o Cobresal respondeu à campanha do rival inaugurando naquele mesmo ano seu próprio estádio, batizado como El Cobre.
El Cobre, um pontinho verde no deserto vermelho, recebe logo mais esta noite, às 21h45, Cobresal vs Corinthians. Valendo a primeira rodada da fase de grupos desta Libertas-2016. Campeão chileno de 2015, o time da casa encara este jogo de hoje como um vislumbre de melhores dias em meio a um futuro árido.
Arequipa e além
El Salvador fica no sopé da cordilheira. Escalando os Andes a valer e atingindo a cidade peruana de Arequipa, a 2.300 metros de altitude, podemos encontrar esta noite, também às 21h45, o Atlético Mineiro em sua incursão pela Libertadores. Ali o time enfrenta o Melgar, campeão peruano após 32 anos de jejum.
Ainda sem Robinho e com sérios desfalques físicos (Dátolo e Cazares, Thiago Ribeiro e Carlos), o Galo conta com a experiência transandina do técnico Diego Aguirre. Embora em seu Uruguai natal não exista montanha alguma, o treinador tem larga bagagem internacional e, ainda em Belo Horizonte, garantiu que seus jogadores estarão aclimatados à altitude. A ver.
Mais tranquilinho por não ter que enfrentar montanha ou deserto, o São Paulo recebe The Strongest no Pacaembu às 19h30, abrindo a noite boleira. Para o time de Edgardo Bauza, no entanto, a pressão é de outra ordem. Numa chave que apresenta o River Plate, atual campeão do torneio, como favorito teórico e o inexpressivo Trujillanos como lanterninha vocacional, pode-se entender que o confronto particular São Paulo vs The Strongest seja decisivo – desde já – para a segunda vaga do grupo.
Fechando a sessão de futebol, cravada meia-noite de quinta-feira, o Grêmio visita o Toluca lá no México. Roger Machado deve definir a dupla de zaga com Fred fazendo companhia a Geromel. Giuliano, zero bala no departamento médico, volta no meio de campo ao lado de Douglas. Luan será o homem de frente. E o artilheiro equatoriano Miller Bolaños ficou para trás, em Porto Alegre, ainda a aperfeiçoar a forma física.
A participação brasileira na Libertas-2016 começou na noite de ontem, com o Palmeiras a empatar diante do River Plate do Uruguai. Por duas vezes o alviverde abriu vantagem no marcador e por duas vezes deixou-a escapar graças a tonteiras na defesa. Marcelo Oliveira, acossado no cargo e acusado de não ter variações táticas, surpreendeu geral deixando Robinho e Gabriel Jesus sentados no banco de reservas. Ambos acabariam por ir a campo ao longo da segunda etapa, período em que o cotejo se tornou mais franco, com sucessivas escaladas ao ataque de parte a parte. Os constantes erros de finalização do Palmeiras, todavia, impediram um melhor desfecho e o empate pesou um bocado para os viajantes na noite uruguaia.
