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Poeta, designer e artista carioca, Mana Bernardes desembarca na quarta-feira (4/11) em Brasília para ficar diante de um desejo guardado em suas aspirações criativas. Aqui, vai se encontrar com o mentor de uma espécie de “filosofia de vida”, que tem uma planta como centro irradiador de energia. Não se trata de uma dessas seitas exóticas típicas do Planalto Central.

Cia. Nós no Bambu/DivulgaçãoO que move a badalada criadora atende pelo nome de “Integral Bambu”. Um sistema criado pelo professor de educação física Marcelo Rio Branco, que tem transformado exercícios para corpos humanos em poética do movimento. Há alguns anos, a pesquisa transmutou-se em suporte de arte com a Cia. Nós no Bambu (foto no alto: Renata Andrade/Divulgação), liderada pela acrobata e bailarina brasiliense Poema Mühlenberg. Agora, está prestes a virar uma escultura fincada em praça pública, dentro do projeto Outras Ideias para o Rio.

Mana descobriu o bambu brasiliense na ilha de Fernando de Noronha. Na casa do amigo Ricardo, que havia treinado o sistema em Brasília, encontrou uma pirâmide feita com a planta, onde ele se exercitava em harmonia, como se fosse um “animal”, que brinca e circula pela natureza. Não hesitou. Explorou a estrutura com seu corpo e apaixonou-se.

MANA – Havia ali uma coisa rara, uma inteligência física e espiritual, de alma. Desejei vir a Brasília, conhecer e me envolver com o Integral Bambu.

Bambuzal é inspirador
O desejo se materializou cinco anos depois. Mana chega para se reunir com Marcelo e Poema para, juntos, desenvolverem a escultura, que será instalada na Praça do Ó, na Barra da Tijuca. Aqui, vão detalhar a obra de arte e criar uma série de nove exercícios que serão desenhados e afixados em placa ilustrativa para que as pessoas possam interagir fisicamente.

Cia. Nós no Bambu/Divulgação

MANA – O bambu tem a ver com a leveza das joias que crio. De ser ao mesmo tempo forte e flexível. Um material que demanda de um ciclo da natureza: tem a lua certa para colheita e a maneira correta para ser armazenado. Por si só é uma obra de arte. O bambuzal é inspirador. Quero que essa escultura evoque a sensibilidade do público para a beleza desse material, a cor e a sonoridade.

Sistema escrito
Marcelo Rui Branco conhece bem o carisma do bambu. A experiência dele é sobre o uso da planta na atividade física. A pesquisa se aprofundou de tal forma que, em 2010, materializou-se num sistema escrito para soluções motoras (movimentos físicos), de ambiente (arranjos de objetos) e sustentáveis (o uso do bambu em si). Marcelo, no entanto, não se espantou em naturalmente o objeto de estudo envolver projetos artísticos.

MARCELO – O Integral Bambu é para os autônomos. Para esses artistas, o diálogo é efetivo.

Golpes de capoeira no ar
Poema Mühlenberg pertence à categoria de criadores autônomos. Desde os 4 anos de idade, a menina fazia dança e trabalhava com teatro, circo e TV, com uma notável habilidade para as artes visuais. No ano em que conheceu o Integral Bambu, passou no vestibular da UnB para Desenho Industrial, após desistir da carreira de atriz.

POEMA – O Sistema Integral Bambu foi um ponto de virada na minha vida. Buscava uma atividade física criativa e, nessa relação com as esculturas de bambu, fui me descobrindo e encontrando novos desafios. Nós, praticantes mais dedicados, começamos a receber convites espontâneos para apresentações em eventos e gradualmente meu envolvimento cresceu.

Assim, nasceu a Cia Nós no Bambu, que investiga a relação poética entre corpos e a planta, numa fusão de linguagens: circo, dança, teatro, performance, teatro físico, teatro-dança. Atualmente, Poema está entre a ponte-aérea Rio-Brasília para criar um trabalho-solo em que dialoga com a capoeira.

Apoiada pelo Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo, ela aprende golpes e floreios a fim de criar células coreográficas, com a supervisão de Raphael Logam, ator e contramestre Bonezinho.

Poesia da Cia. Nós no Bambu

 

Estruturas viajam o Brasil
O ator brasiliense Will Lopes é instrutor do Integral Bambu em São Paulo, com aulas em locais diversificados, como o circuito Sesc. As esculturas ecolúdicas de Marcelo Rio Branco são a base do trabalho e tem circulado o Brasil. No Facebook, é possível encontrá-las em diversas paisagens, como à beira-mar em Floripa. O impacto do treinamento é forte com o grupo, sobretudo, de estrangeiros.

via GIPHY (Fotos: Manuel Vason/Divulgação)

Will tem convites para implantar o sistema em quatro países (Austrália, Noruega, Inglaterra e Estados Unidos). Entrou com um pedido de passagens no edital do Ministério da Cultura. Se for aprovado, vai embarcar para Sydney no começo de 2016 para uma temporada de três meses.

WILL – Com essas ecoesculturas, você treina no jardim, na sala, no quarto, na varanda. Se tiver um rack automotivo, pode dar um rolê na praça, na praia, na “cachu” e onde sua disposição lhe levar. Com treino, ganhará animo suficiente para jogá-la nas costas e ganhar o mundo.

Bambu do cerrado é japonês
Marcelo pesquisa todo tipo de bambu. Mas, em seus arranjos arquitetônicos, trabalha com uma espécie, a phyllostachys bambusoides, que foi trazida pela colônia japonesa à época da inauguração de Brasília, a fim de formar o cinturão verde. A espécie é do tipo alastrante e tem menos seiva nos colmos (varas), por isso, pouca propícia ao ataque de insetos (broca). Ela cresce bem reta e com galhos somente no alto.

Conheça o projeto Outras Ideias para o Rio

Para saber mais sobre a Cia. Nós do Bambu Clique aqui.

 


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