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No finalzinho de dezembro, a atriz Bruna Martini lotou, por dois dias, o Teatro Dulcina de Moraes, levando ao Conic um público curioso para apreciar o trabalho. No palco, estava só, segurando o espectador no divertido “Stanisloves-me”, com direção de Simone Reis. Foi aplaudida e ovacionada por uma plateia majoritariamente formada por estudantes e profissionais do teatro de Brasília.
Havia uma curiosidade de parte dos espectadores em conhecer o trabalho de Bruna, ainda estudante de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB). Semanas antes, ela tinha sido indicada à categoria de atriz do Prêmio Sesc Candango pelo espetáculo “Entre Quartos”, do coletivo Tripé. Em setembro, venceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Teatro Universitário (Festu), no Rio de Janeiro, pela performance em “Stanislove-me”.
Bruna Martini tem 21 anos e ainda transita pelas salas de aulas do Instituto de Artes da UnB, onde estuda o oitavo semestre de artes cênicas. Está ali para descobrir caminhos de pesquisa do ofício de interpretação.
Sinto que entrei na UnB na intenção de agregar linguagens, muito mais do quer obter um diploma. Aliás, tenho dificuldades com a academia no sentindo burocrático"
Bruna Martini

Simone Reis em “O Espelho”: mestra-mor

 

Com talento e traquejo para se destacar no mercado, Bruna tem consciência de quanto a vivência na UnB abriu-lhe as portas. Aprendeu e trocou com profissionais de qualidade artística e técnica incontestáveis, a exemplo de Hugo Rodas, Felícia Johansson, Giselle Rodrigues e Simone Reis. Esta última é a responsável por um encontro de vida.

Antes de “Stanisloves-me” vi Simone Reis em “O Espelho” e “A Boba” e tinha a intuição que ela poderia ser o auge que Brasília poderia me oferecer. Ela trabalha num nível intuitivo, provoca o intérprete a se descobrir. É preciso responder a pergunta ‘quem é você?’ para trabalhar com ela. Dói, mas é bom. Simone é uma bruxa "
Bruna Martini

Bruna foi aplaudida de pé na premiação do Festu

 

O trabalho com Simone Reis é uma deliciosa autocrítica ao exercício de ser um intérprete virtuose, aquele capaz de fascinar as plateias com as peripécias da personagem. Bruna ri de si mesma em cena, brinca com as teorias, os mestres e os métodos, numa atuação intensa, que exige uma presença cênica capaz de interagir com o ruído de uma mensagem de aplicativo. Vai do improviso à comédia rasgada, numa gangorra cheia de sutilezas.

“Não imaginava que ganharia e até tinha comprado a passagem de volta para um dia antes da cerimônia. Recebi o prêmio de Lilia Cabral que é uma referência artística, que também começou na comédia. Acho que ganhei porque tive coragem de ir”, explica.

Coragem é a maior qualidade de Bruna Martini. Foi movida a esse sentimento que ela aceitou o convite de atriz substituta em “Entre Quartos”, faltando poucas semanas para a apresentação do Prêmio Sesc. Bruna estava entre amigos e foi recebida com afeto, sentimento que os une. Pediu uma quantidade de ensaios para se sentir segura e foi atendida. Sabia da difícil tarefa que é entrar num espetáculo pronto sem ter vivenciado o processo de criação. Tinha que respeitar o que foi desenvolvido, mas precisava pôr suas subjetividades de artista em cena.
Fiquei com medo de desestabilizar, mas o grupo é muito coeso, sabe o que quer. Entrei, então, consciente desses riscos e o resultado foi significativo para todos nós"
Bruna Martini
E 2016, o ano difícil coletivamente para o Brasil, sorriu para Bruna Martini, que ainda rodou pelas cidades do Distrito Federal, com a montagem universitária “Decadenta”, sobre o universo de Rita Lee.

Bruna na montagem “Decadenta”, da UnB, com direção de Felícia Johansson

Não tenho palavras para definir tudo isso que ocorreu em 2016. Uma sensação incrível para minha jovem carreira, se é que posso chama-la ainda de carreira"
Bruna Martini
teatroUnBbruna martini
 


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