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Não há nada proibido no submundo dos contos eróticos na internet. Basta digitar o termo no Google para entrar em um universo assustador. As fantasias e os pensamentos mais sujos ganham vida em forma de palavra. Existe até o emprego de redator especializado nesse tipo de literatura.

As personagens, na maioria das vezes, são figuras que saem da cabeça machista de deus-sabe-lá-quem. A violência contra a mulher é romantizada e crimes como estupro e pedofilia não são apenas naturalizados, mas tratados como algo excitante.

Esse universo escondido revela a perversão do seu vizinho, do colega que está aí, logo ao lado, mas você nunca vai saber, porque ele assina as bizarrices dele como “louquinha tarada” ou “doctorpenisgrosso”.

Mas, calma, há uma luz no fim do túnel. A mulherada de Brasília dá a letra para quem se interessar por um trabalho literário erótico, sério e saudável. Nomes como Elaine Elesbão, Nana Calimeris, Maciane Gontijo e Sinélia Peixoto, todas brasilienses e escritoras, publicam textos que fogem desse modelo citado acima. 

 Ele coloca as mãos na minha cintura e arremete com força pra dentro de mim. A minha vagina pulsa, o meu corpo todo vibra. O encaixe é perfeito. Esse desconhecido me possui como se eu tivesse sido dele a vida inteira, e estou tão necessitada que nada no mundo me fará discordar disso"
trecho de Doce Loucura, de Elaine Elesbão

Recentemente, Elaine fez uma palestra na Feira do Livro, com a psicóloga Wilza Meireles, para falar sobre o perigo da romantização da violência contra a mulher na literatura autopublicada (ou seja, nesses sites que são terra de ninguém).

Algumas pessoas usam o conto erótico para romantizar a violência contra mulher, a cultura de estupro. Utilizam o macho alfa com a pegada de abusador. Todo autor tem responsabilidade sobre o que escreve. A leitura é um dos elementos mais importantes para a formação do cognitivo de um ser humano. Quem escreve essas coisas reforça que o agressor está certo e o transforma em príncipe "
Elaine Elesbão, escritora

Elaine começou a escrever contos sensuais a pedido de suas leitoras, que já acompanhavam seus romances. Ela e outras autoras fazem parte de grupos fechados na internet para discutir e divulgar literatura erótica de qualidade.

“Sou contadora de histórias. O sexo faz parte da vida de um ser humano adulto. Quando chega nessa fase do relacionamento, sou mais descritiva (no texto). Não é o foco principal da história, nem nasce de uma fantasia”, explica Elaine.

A minha calcinha encharca, o desejo vem de dentro do meu útero e escapa por todos os poros. Estou safada, faminta e esse homem gostoso passando a mão em mim é o meu prêmio acumulado da loteria"
trecho do conto Doce Loucura, de Elaine Elesbão

Nana Calimeris prepara-se para lançar o livro “Anima Liber”, só de contos eróticos. Quem quiser ter uma prévia, pode ler o “Cores de Sabrina”, que está na Amazon. A personagem principal separa-se do marido e vai se divertir conhecendo outros homens.

Um menino leu “Cores de Sabrina” e disse: ‘Essa personagem é tão galinha’. As pessoas ainda estranham que a mulher possa fazer sexo com vários homens. É importante ter mulheres na literatura erótica para que as pessoas tenham noção do que é a sexualidade feminina"
Nana Calimeris, escritora

Além dos contos, a poesia erótica também ganha espaço em Brasília. A poeta Marina Mara prepara, com colaboração dos poetas participantes, o Sarau Erótico – Poesia Nua. Na ocasião, será lançado o e-book sensorial que é resultado desse projeto.

A gente vê nas feiras literárias 10% de mulheres, um reflexo da sociedade patriarcal. Uma das lutas é ser chamada de poeta e não de poetisa, que foi um termo criado para ser diminutivo. Hoje, as mulheres saíram do posto de musas dos romances e dos poemas para escrever sua própria história. Não precisa um homem dizer como a mulher se sentiu. As Pagus e Capitus da nossa sociedade estão escrevendo"
Marina Mara, poeta
sexofeminismopouca vergonha
 


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