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A dose aplicada por Liliane para abater a colega Celina foi dose para leão. Mas um dia após sentir o efeito das gravações escondidas, a presidente da Câmara Legislativa estava de pé e disposta a retomar uma rotina de normalidade.

Depois de passar boa parte da noite de quarta-feira (17/8) reunida com os deputados distritais, ela começou o expediente na Câmara logo cedo. Na pauta, o contra-ataque de sua agora arqui-inimiga Liliane, a quem chamou de “mentirosa” e “descontrolada”.

Sobre as conversas gravadas às escondidas e difíceis de explicar dentro ou fora de contexto, Celina alega que quando diz no áudio que Liliane não ficaria de fora do “projeto” e que, se era para ajudar, todos deveriam ser “ajudados”, ela estava, na verdade, cobrando o governador de executar as emendas propostas por todos os parlamentares.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

 

Além do mais, no discurso afinado com os colegas atingidos pelo escândalo, repetiu-se à exaustão na Câmara hoje que o tal projeto remanejando os recursos para a saúde é assinado pela própria Liliane Roriz. Encorajada pela falta de coerência, a turma da Mesa Diretora encaminhou o documento comprovando a iniciativa da proposta para o Ministério Público.

Um dia de cão
Celina chegou à Câmara pouco antes das 9h. Reuniu-se primeiro com os colegas e depois falou com a imprensa. E o climão que todos aguardavam quando ela encontrasse seus funcionários de gabinete foi neutralizado com jogo de cintura. “E você, é alfabetizado ou analfabeto?”, dirigiu-se Celina a seu assessor. Em um dos áudios divulgados nesta quarta (17), a presidente da Câmara admite durante conversa com Liliane que seu gabinete “está cheio de analfabetos que não sabem fazer nada“, mas estão ali porque a ajudaram na campanha.

Como alguém que perde um ente querido, Celina passou o dia recebendo telefonemas de condolências. Entre as ligações, uma simbólica, a do ex-colega de partido e deputado federal Rogério Rosso (PSD). Embora Rosso esteja afastado de Liliane ultimamente, os dois foram muito ligados no passado.

Por intermédio da amizade entre Liliane e Karina, mulher de Rosso, é que Rogério passou a trabalhar com Joaquim Roriz lá no passado. Mas nesta quinta, após escândalo dos grampos, foi Celina quem recebeu a ligação carinhosa. E ainda sobre felicitações, Celina tomou a iniciativa de dar um telefonema para Jaqueline Roriz. Mesmo com a casa caindo sobre sua cabeça, a presidente da Câmara não esqueceu que nesta quinta (18) Jaqueline faz aniversário.

A conversa foi rápida, mas carinhosa. No passado, as duas foram grandes amigas, um dos motivos da desconfiança de Liliane por Celina e vice-versa. As irmãs Liliane e Jaqueline não se dão. Lá atrás, quando Celina era apenas uma aposta política, Jaqueline convenceu o pai sobre o potencial de sua amiga. E ela foi alçada à candidatura para a Câmara Legislativa com as bênçãos de Roriz, a simpatia da filha do meio e o incômodo da caçula Liliane.

Nessa rede de intrigas, o ex-secretário-geral da Câmara Legislativa Valério Neves sempre esteve do lado de Jaqueline. Ele foi uma das pessoas mais próximas a Joaquim Roriz durante a carreira política do ex-governador. Quando Roriz afastou-se da vida pública, ele seguiu ajudando Jaqueline.

Depois que Jaqueline foi banida da política por ter se tornado ficha suja, o natural seria Valério migrar para o grupo de Liliane. Era o que Roriz desejava. Mas o santo dos dois nunca bateu. E Valério acabou se unindo a Celina. Tornou-se secretário-geral da Câmara pelas mãos da presidente.

As antipatias do passado ajudam a responder a uma pergunta que muitos se fazem desde as revelações bombásticas de Liliane Roriz: Como ela teve a coragem de entregar de bandeja a cabeça de Valério Neves, o homem que conhece tantos segredos da família Roriz?

Depois da tempestade, mais tempestade
Enquanto Celina adotou a estratégia de criar um ar de normalidade, Liliane evitou a Câmara. Está de atestado até esta sexta-feira (19) por motivo de “foro íntimo”. Com a iniciativa recente, Liliane inverteu pelo menos neste episódio sua relação com o Ministério Público. De denunciada, passou a denunciante.

Leonardo Arruda/Metrópoles

Liliane Roriz evitou a Câmara Legislativa: atestado até sexta-feira (19)

No mesmo dia em que o escândalo dos grampos foi revelado, a família Roriz estava no banco dos réus recorrendo de uma condenação por improbidade administrativa. Difícil será administrar essa iniciativa junto aos 23 colegas da Câmara Legislativa, onde a regra número 1 é a do corporativismo. Justamente por isso, os processos de quebra de decoro rarissimamente evoluem na Casa. Neste caso, no entanto, ele pode correr na velocidade Usain Bolt.

Celina LeãoLiliane Rorizjaqueline roriz
 


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