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Passeando pelo Facebook, me deparo com um link da Casa Vogue Brasil. É um tour pela residência da atriz Bruna Linzmeyer. Antes mesmo de clicar para ver o conteúdo, reparei no pequeno caos que acontecia na sessão de comentários.

Uma série de pessoas completamente indignadas com a simplicidade das escolhas da atriz para seu próprio lar. Chamavam a casa de doentia, de barraco, bradavam que ela era uma rica brincando de ser pobre, cheia de vazio existencial. Entre outras acusações raivosas e debochadas.

Cliquei no vídeo do link e iniciei o tour guiado pela própria atriz. Fiquei refletindo por que a casa e as escolhas pessoais de uma pessoa – que não invadem nem ferem o direito de ninguém – causaram tanta revolta e estranheza.

O ambiente é, de fato, peculiar: móveis muito antigos, um banheiro que ficou sem revestimento porque Bruna amou a textura do reboco. Um balanço no meio da sala. Uma poltrona rasgada. Um buraco na parede.

Enquanto uma parte dos leitores se revoltou, por sorte, uma outra parte viu ali, estampada pelo apartamento, toda a poesia e a sensibilidade da atriz: a vontade de viver numa casa que conta e reconta histórias por meio de suas imperfeições.

Que faz dos desenhos da luz do sol nas paredes a principal atração. Que força na gente o exercício pessoal de afinar nossa capacidade de ver beleza no que é absolutamente simples, usado, gasto, real.

Os orientais têm até mesmo um nome para essa prática: Wabi-sabi. É um conceito que busca valorizar a imperfeição das coisas e entender que são justamente essas “falhas” que trazem autenticidade, identidade e a consciência da impermanência da vida.

Nada ali me incomodou. Ainda que não sejam escolhas que eu faria para minha casa. Afinal, quando vamos parar de pautar o que pensamos a respeito dos outros baseados unicamente em quem somos?

Em que momento as pessoas decidiram que tinham direito de achincalhar e até mesmo se indignar com as escolhas que uma pessoa faz para o próprio lar? "

O padrão da casa pasteurizada, igual à da propaganda da loja do panfleto, pode ser bom para você. E tudo bem. Eu prefiro uma casa em que a imperfeição vira prosa. Que a gente não se cansa de olhar e imaginar cada história que tem por trás de detalhes inusitados. Sorvendo as formas e encontrando, aos poucos, o contexto das coisas. E nessas descobertas, deixando um pouco de reflexão e de conexão nas paredes e objetos.

Bruna Linzmeyerwabi sabi
 


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