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O nome é genial. Swine. Suíno, em inglês. Além disso, as últimas quatro letras significam vinho. A bela sacada, na verdade, sintetiza a proposta desta novíssima casa que oferece derivados do porco e vinhos. Aberto desde junho, o IVV Swine Bar virou uma extensão do clube de vinhos IVV, criado em julho de 2015 pelo sommelier Eduardo Nobre.

De volta à Brasília natal após quase 15 anos no exterior, Nobre resolveu abrir na capital um clube em que ele faz seleção de vinhos e vende para os associados. A diferença é que o IVV fazia degustações presenciais. E aí, já viu: onde tem vinho, tem comida também.

Junto com a parceira Ariela, o sommelier resolveu então abrir um bar na 314 Norte. Fica numa esquina na parte de trás da comercial, e a posição da loja foi essencial para criar o aconchegante ambiente do wine bar. É um lugar descolado, meio europeu meio californiano (Estado onde Nobre morou por mais de uma década), com decoração industrial, boa iluminação e uma desejável estante de vinhos com distintos cortes de uvas  e nacionalidades.

No salão, ainda há um balcão com cadeiras altas e um reservado, onde as porções e os drinques são preparados. No subsolo, um pequeno espaço para eventos. Tudo harmônico, bem distribuído e confortável.

Para comer com a mão
O cardápio é fortemente composto por finger foods, comidinhas que você ataca de uma vez só. Indo de turma, o bacana é explorar o que sua fome (ou gula) aguentar. O pessoal se esmera na apresentação. Os “bites” são servidos em pedras. Essa demonstração de cuidado com o público se estende a outra atitude generosa: a cortesia da garrafa de água filtrada, prática já consagrada em muitos estabelecimentos da Europa e Estados Unidos, mas longe de ser absorvida em Brasília.

Nas vezes em que estive lá, observei que existem cinco pratos que são muito pedidos.

– Crostinis de brie com damasco, mel e lâminas de amêndoas (R$ 17, quatro unidades);
– Medjool assadas (tâmaras com gorgonzola e enroladas com guanciale curado pela casa e servida com molho especial) (R$ 15, quatro unidades);
– Minicroque madame com lombo, muçarela e ovo de codorna frito (R$ 19, quatro unidades);
– Linguicinhas defumadas com molho de mostarda e mel (R$ 24);
– Chips de panceta.

Não consegui comer todos. Mas as tâmaras, sem caroço, são divinas. Servidas mornas, o dulçor natural se mistura com o salgadinho do queijo e a delicadeza do guanciale – que nada mais é do que uma fatia da bochecha do porco.

Há duas apostas interessantes no cardápio e foram as que mais me agradaram. As duas “tábuas”, uma de queijos artesanais e outra de charcuteria (ambas a R$ 38), e a porção de carne de lata (R$ 24).

As primeiras são bem servidas. A de queijos vem acompanhada por mel e algumas castanhas. Para os desavisados, tem um queijo com sabor bem intenso e cheiro meio desagradável. Uma amiga se arrepiou da primeira vez que experimentou. Numa segunda ida, pedimos para trocar e assim foi feito. Os embutidos também são garimpados entre produtores artesanais.

Já a carne de lata é feita com cubos de carne de porco. Eles são conservados dentro de uma lata na sua própria banha. Não se apavore.  À primeira vista pode parecer que a carne vem encharcada de gordura, mas não. Ela vem macia, bem temperada e suculenta. Ao misturar com o molho de tamarindo com pimenta, o sabor ainda é mais ressaltado pelo azedinho da fruta e a picância suave.

De sobremesa, duas recomendações: a sopa de frutas vermelhas e os três porquinhos, fatias generosas de bacon cobertas por chocolate, marmelada e buriti.

O pão, que acompanha grande parte dos petiscos, é da Varanda Pães Artesanais. Ótima escolha de fornecedor. Mas, em duas ocasiões, embora frescos, eles estavam mais torrados do que devia, dificultando comê-lo juntamente com queijos e embutidos. Vale uma  atenção maior na hora de aquecê-lo.

Ah, o atendimento… Sempre ele
Agora, o grande pecado mesmo é o atendimento. Simpático, porém, às vezes, ineficiente e confuso. Estive por lá umas quatro vezes e houve certo bate-cabeça algumas vezes. Olha que não falta staff. Porém, penso que deveria ter maior treinamento, acompanhamento e gerenciamento nesse quesito. É desagradável, destoando do restante dos atributos da casa.

Uma informação importante: o Swine funciona apenas de quinta a sábado, das 18h à meia-noite. Por isso, eles não fazem reserva. Há caixotes de vinhos que funcionam como mesas para acomodar quem quiser esperar uma mesa. Às terças (das 17h às 20h), há uma feirinha com produtos orgânicos e artesanais. Às quintas, é a vez de ouvir vinil. Você também pode levar o seu para tocar lá. A Califórnia é logo ali, na Asa Norte.

Cortês sim; omissa, não.

DEVO IR?
Sim. Chegue cedo.

PONTO ALTO:
Os embutidos e queijos. O astral. O ambiente.

PONTO FRACO:
O atendimento confuso.

IVV Swine Bar  (314 Norte, Bloco B, Loja 21, 3034-3471).

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