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Depois de um processo que se arrastou por mais de 11 meses, Eduardo Cunha teve, nesta segunda-feira (12/9), o mandato de deputado cassado. Foram 450 votos favoráveis à cassação de Cunha, 10 contra. Dessa forma, o peemedebista está inelegível até janeiro de 2026.

A sessão começou por volta de 20h20, quando Rodrigo Maia decidiu que havia quórum suficiente na Casa. O primeiro a falar foi o relator do processo Marcos Rogério (DEM-RO), que discursou pedindo a cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados. Ele alegou que o parlamentar mentiu em depoimento à CPI da Petrobras, o que configuraria quebra de decoro.

Em seguida, o advogado de defesa de Eduardo Cunha, Marcelo Nobre, subiu à tribuna. No mesmo momento, o ex-presidente da Casa chegou ao plenário. “Este processo é uma imputação de mentira ao meu cliente. Ele não mentiu. Não há uma prova nos autos”, afirmou o defensor.

Quando foi a vez do agora ex-deputado discursar, ele foi vaiado no caminho para a tribuna e ouviu gritos de “Fora Cunha”. O deputado começou com a voz embargada e disse: “Agradeço a Deus a chance de ter presidido essa casa”. O ex-presidente da Casa atacou o PT e foi xingado de “ladrão” por vários ex-colegas. Rodrigo Maia precisou intervir várias vezes.

Mais cedo
Antes do início da sessão, os adversários apostaram em uma sessão cheia e vitória certa. Para o relator do caso, a maioria dos deputados tinha opinião formada. Algumas bancadas marcaram reunião para o início da tarde, como o DEM que se reuniu às 15h para definir se fecharia ou não questão, obrigando todos da legenda a seguir um voto. PSDB, PMDB e PR decidiram não fechar questão.

Já Cunha, antes de comparecer à Câmara, dizia que não ia renunciar ao cargo. “Não. Sem a menor chance”, afirmou. Apesar das negativas de Cunha, dentro da Câmara circulava, entre alguns parlamentares, a informação de que ele deveria renunciar ao cargo, antes ou durante a sessão. Contudo, isso não ocorreu.

Do lado de fora
Cerca de mil pessoas foram em direção ao Congresso Nacional em um protesto para pedir a cassação do mandato de deputado de Eduardo Cunha (PMDB) e a saída de Michel Temer (PMDB) da presidência da República. De acordo com a Polícia Militar do DF, o grupo saiu da Catedral Metropolitana de Brasília e foi até o Congresso, onde ocorre a sessão que pedirá a cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Por volta de 20h15, os manifestantes chegaram ao gramado do Congresso Nacional com faixas e ainda gritando as palavras de ordem. Segundo a organização, eles vão se concentrar na frente do Congresso até o fim da votação de cassação de Eduardo Cunha. Como medida de segurança, a polícia fechou e cercou a entrada principal do Congresso. Integrantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras (Fasubra) e funcionários públicos federais participam do movimento.

Nos três carros de som que estão na Esplanada, os gritos de “Fora Cunha” e “Fora Temer” são frequentes. “Não aceitamos nenhuma decisão da Câmara hoje que não seja a cassação de Eduardo Cunha”, gritavam. Por volta de 21h10, os manifestantes já se dispersavam da Esplanada. Segundo os organizadores do protesto, está marcado para esta terça-feira (13/9), uma manifestação maior pedindo “Fora Temer”.

 

 

 

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