Hemoperfusão: DF oferece tratamento inédito para casos graves de Covid-19

Técnica baseada nos princípios da hemodiálise consegue controlar a tempestade de citocinas, resposta inflamatória exacerbada do corpo

atualizado 13/01/2021 11:14

médicos brasileiros criam a terapia de hemoperfusão para pacientes graves de covid coronavírusCDRB/Divulgação

Uma pesquisa feita por um grupo de especialistas de 16 nacionalidades desenvolveu uma nova forma de tratar casos graves de Covid-19. O estudo utilizou a terapia de hemoperfusão na purificação do sangue das moléculas que causam inflamação por meio de um filtro especial, chamado CytoSorb. Brasília é a primeira região do Brasil a adotar o tratamento.

Thiago Reis, nefrologista, diretor científico da Clínica de Doenças Renais de Brasília e membro titular da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), foi um dos autores do estudo, publicado na revista científica Nature Reviwes Nephrology. Ao Metrópoles, o pesquisador explicou que a técnica, embora já seja utilizada na Europa há 10 anos, só chegou ao Brasil recentemente.

O método utiliza princípios básicos da hemodiálise, que retira o sangue do corpo do paciente para filtrá-lo e devolvê-lo purificado. “No tratamento da hemodiálise convencional, o filtro só permite que você retire moléculas pequenas. Com a terapia de hemoperfusão, conseguimos retirar células maiores”, detalha Thiago.

Filtrar moléculas mais robustas permite o controle das citocinas, que orquestram a resposta inflamatória do corpo para eliminar uma infecção. Em um primeiro momento, o médico explica que esta resposta é útil para o corpo. Em casos graves de infecção por Sars-CoV-2, contudo, ocorre a chamada tempestade de citocinas, em que há produção exacerbada das células de defesa, que acabam atacando o próprio organismo e podem causar lesões nos pulmões, fígado e coração.

Como funciona o tratamento

Assim como na hemodiálise, na terapia de hemoperfusão o sangue é removido e filtrado por uma máquina de filtração artificial. “Na hemoperfusão, é como se o sangue passasse por um cilindro com uma esponja, que prende essas moléculas de citocina”, explica o nefrologista Thiago Reis. “É uma terapia de resgate”.

No caso da pesquisa feita pelo médico brasileiro, a “esponja” é, na verdade, um cartucho, semelhante a um tubo com cerca de 20 cm. A equipe médica, então, conecta o dispositivo ao circuito da hemodiálise, que faz a filtragem das citocinas antes de devolver o sangue purificado ao paciente.

Cada sessão é feita por 24 horas seguidas. “Também percebemos a redução da necessidade de medicamentos que aumentam a pressão”, completa Thiago. “Isso é importante porque, em pacientes com coronavírus grave, a pressão despenca. Então precisamos administrar noradrenalina, que pode ter efeitos colaterais.”

Altas doses de noradrenalina fazem com que o sangue seja remanejado para áreas importantes, como coração e rins, mas também podem restringir o acesso sanguíneo a outras partes do corpo, como intestinos e pele. “O paciente pode ter falta de sangue nas pontas dos dedos ou do nariz, por exemplo, o que pode causar necrose”, explica o médico.

O tratamento está disponível na Clínica de Doenças Renais de Brasília (CDRB) em parceria com os hospitais Alvorada e Hospital Daher, do Lago Sul.

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