Sentimental, caseiro e gourmet: como fazer o café coado perfeito

Cafeterias especializadas estão ministrando cursos relacionados à bebida aos ávidos por conhecimento — e por cafeína!

atualizado 31/03/2018 10:48

Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

O primeiro curso de extração de café do Seu Patrício Querido Café reuniu 22 clientes — cobaias, nas palavras do proprietário, Fabrício Lima — interessados em entender melhor os formatos utilizados na cafeteria. O teste deu tão certo que a casa está prestes a lançar a 3ª edição das aulas, prevista para abril ou maio de 2018.

“Eu amo ser professor, é minha maior vocação. Com os cursos, consegui retornar à atividade. De início, falamos de hario V60, prensa francesa e chemex. Isso aqui abriu portas para fazer cursos de outros métodos, além de diversos assuntos que são carros-chefe da casa: regulagem de moinho e ponto de extração de espresso”, conta Lima, que também é barista.

0

 

É inusitado pensar que na maior nação produtora do grão, segunda maior consumidora da bebida, existam pessoas procurando aulas de como extrair um bom café coado: afinal, é passando um cafezinho que os dias de muitos brasileiros se iniciam. “O interessante é que as pessoas procuram beber e servir cafés de qualidade. É um hábito. Elas reconhecem o que é melhor, mas nos procuram porque querem isso na rotina delas”, explica Fabrício.

Dos métodos de preparo caseiro, o mais acessível para quem está iniciando é a hario V60. O produto japonês consiste em um coador afunilado, com sulcos nas laterais que vão parar em um buraco maior que o dos porta filtros tradicionais. O filtro adere mais facilmente à parede do objeto, e os sulcos garantem que o ar e a água passem pelo papel e extraiam o melhor sabor e aroma do café. Pedimos ao Fabrício para explicar como ele gosta de passar um bom café no método:

Seu Patrício não é o único estabelecimento brasiliense a ministrar aulas de extração de café. Depois de alguns testes nos eventos da Rota da Cafeína, o Ernesto Cafés Especiais vai dar cursos mensais de preparos caseiros com o mestre de torra Luciano Salomão, da Wolff Café. “É uma preocupação em buscar o produto de melhor qualidade, e isso valoriza toda a cadeia. O coado é o elo do café afetivo da casa da avó com a qualidade do melhor método”, comenta o proprietário do estabelecimento, Pedro Meira.

Mais antigo no ofício, o Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, inciou os cursos para leigos e aspirantes a profissionais em 2005. Desde novembro de 2017, a empresa dá a opção aos alunos de se certificarem internacionalmente, com a aprovação da Associação de Cafés Especiais (SCA, na sigla em inglês), uma organização que representa de cafeicultores a baristas ao redor do globo.

“Todo brasileiro quer saber se a água do café deve ferver. O que eu vejo, como barista, e acompanhando o público final, é que as pessoas estão se dando conta de que café não é só pó e água quente. Agora, estão um pouco mais atentas e perceberam que ele deve ser preparado de uma maneira específica para ter uma bebida de qualidade”, comenta o instrutor e coordenador de cursos da empresa, Rafael Serato.

Últimas notícias