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Em 5 de dezembro de 2010, o servidor público brasiliense Severino Mendes, 53 anos, foi ao Rio de Janeiro. Com ingresso na mão, o torcedor se dirigiu ao Engenhão para assistir Fluminense x Guarani – partida que decidiria o título do Brasileirão daquele ano. Há mais de duas décadas, o tricolor não faturava o campeonato nacional. Jogo duro, tenso, decidido em um gol de Sheik – e comemorado intensamente pelo homem fantasiado de papa nas arquibancadas.

“Me veio aquela energia, chorei e me emocionei. O Flu precisava daquele título”, conta Severino. Desde 2004, o religioso torcedor vai aos jogos do time de coração vestido como o grande líder da Igreja Católica. Nesta quinta-feira (7/6), o Papa Tricolor, mais uma vez, dará sua benção aos comandados de Abel Braga, que enfrentam o Flamengo, no Estádio Nacional Mané Garrincha, às 20h.

Vai ser um jogo muito difícil, mas, como o Abel tem o time na mão, acho que vamos conseguir impor nossa forma de atuar e podemos surpreender"
Severino Mendes

Religião e futebol
A história do servidor público como Papa Tricolor começa em 2004. As motivações misturam fé, recuperação e amor pelo Fluminense. Severino acabara de perder o pai e a mãe, fato que o levou a enfrentar a depressão. O homem, então, buscou na religião e no futebol forças para superar a dor e a doença.

Mas por que se fantasiar como o líder da igreja? Parte dessa resposta está na trajetória de Severino e na própria história do Fluminense. Em 1980, o papa João Paulo II, o João de Deus, veio ao Brasil. No mesmo ano, em outubro, o tricolor enfrentou o Vasco pela decisão do Carioca. A partida foi para os pênaltis e, no momento mais tenso, a torcida do Flu cantou: “A bênção, João de Deus. Nosso povo te abraça”.

Igo Estrela/Metrópoles

Severino Mendes, o Papa Tricolor

 

O Flu bateu o rival por 4 a 1 nas penalidades máximas – com atuação divina do goleiro Paulo Goulart –, e sagrou-se campeão carioca de 1980. De quebra, ganhou um grito de fé para a torcida. “A música foi uma das inspirações, mas tenho uma história ligada ao catolicismo”, lembra Severino.

Apesar de admitir já ter sido mais “praticante”, Severino é católico. Cresceu em meio a grupos jovens da Paróquia Cristo Redentor, em Taguatinga Norte. Até hoje, é nesse templo onde professa a fé, em missas e outras celebrações.

Vai, Flu!
De 2004 até hoje, Severino já esteve em “trajes papais” no Rio de Janeiro, Florianópolis, Goiânia, Recife e, é claro, Brasília. Para o torcedor, o saldo é positivo. Os números ajudam a embasar essa conclusão.

Depois de amargar a Terceirona em 1999, o novo milênio é cercado de bons momentos para o tricolor carioca. São três títulos cariocas (2002, 2005 e 2012), uma Copa do Brasil (2007), uma Primeira Liga (2016), dois brasileiros (2010 e 2012) e um vice-campeonato na Libertadores da América (2008).

Do atual time, o papa aposta em Pedro, centroavante promissor que, machucado, não enfrenta o Flamengo. Olhando para o passado, um atacante também é o grande ídolo do religioso torcedor: Fred. “Quero ele encerrando a carreira no Fluminense”, pede Severino.