Ana Hikari, de As Five, defende presença de protagonistas asiáticas

"O debate racial ainda está muito atrasado no Brasil", diz estrela de As Five, série que estreou na Globo na terça (26/10)

atualizado 26/10/2021 20:18

Paulistana, Ana Hikari vai interpretar uma carioca em nova novela da GloboPaola Vespa

São Paulo – Após se tornar a primeira protagonista asiática da Globo com Tina, de Malhação – Viva a Diferença (2017-2018), Ana Hikari também é destaque em As Five, série criada originalmente para o streaming, que fez sucesso no ano passado e estreou na TV Globo na terça-feira (26/10).

A atriz aparecerá ainda na próxima novela das 19h do canal, que será lançada em 22/11. Defensora da representatividade racial na TV, ela está feliz por não ver um estereótipo asiático em sua personagem no folhetim Quanto Mais Vida Melhor, chamada Vanda.

“Estamos entendendo agora que ser amarelo no Brasil é uma identidade racial. O debate ainda está muito atrasado. Mas, aos poucos, vamos conquistando esses espaços. Tem muitas atrizes que estão crescendo”, afirmou, em entrevista ao Métropoles.

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A intérprete de 26 anos destaca que não basta subirem os números de artistas de origem asiática nas produções brasileiras. “Quando há alguma personagem asiática, na maioria das vezes, é estereotipada, de uma maneira pejorativa, infantilizada, hipersexualizada, no caso da mulheres. De fato, não nos representa. Essa é a diferença da diversidade e da representatividade na tela”, explicou.

Origens japonesa, negra e indígena

A mãe de Ana é filha de japoneses. Já o pai da atriz tem raízes negras e indígenas. Aliás, a moça ressalta, orgulhosa, que seu pai, Almir Almas, é primeiro negro chefe de departamento na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Sem fugir de suas origens, a global cobra mais representatividade na TV também para negros e indígenas. “Queria que houvesse muitas outras protagonistas negras, asiáticas e, logo, uma protagonista indígena. Porque até hoje na Globo não teve. Se ficamos tão orgulhosos de falar que o Brasil é um país diverso, então por que isso não acontece na televisão?”, perguntou.

“Levantar essa questão sobre a representatividade amarela é falar sobre a hegemonia branca no audiovisual, é questionar o racismo estrutural que, no fim das contas, oprime e mata pessoas negras. O debate sobre pessoas amarelas é para nos unirmos contra o racismo contra pessoas negras”, defendeu.

Sotaque

Ainda sobre interpretar o papel de Vanda – uma artista da cena musical independente que toca com sua banda na noite -, a paulistana confessou ter tido dificuldade para aprender o sotaque carioca. “Foi bem divertido para a construção da personagem, precisei estudar sotaque. Confesso que sou uma pessoa muito autocrítica, fico achando que nada está bom, mas tive uma preparadora nessa questão”, afirmou.

A atriz está morando no Rio de Janeiro há um ano para gravar a novela. “A grande questão é entender que o meu sotaque não vai ser o sotaque de todo mundo do Rio de Janeiro, porque cada um fala de um jeito.”

Estreia de As Five

A série As Five, derivada de Malhação Viva a Diferença, estreou na TV Globo na terça-feira (26/10). A trama do autor Cao Hamburger mostra, nesta primeira temporada, as personagens Tina (Ana Hikari), Ellen (Heslaine Vieira), Benê (Daphne Bozaski), Keyla (Gabriela Medvedovski) e Lica (Manoela Aliperti), seis anos após se formarem no ensino médio, com idade de 24 anos em média.

“Fala sobre a sexualidade de maneira mais explícita, sobre a relação com drogas lícitas e ilícitas. O Cao aborda isso de maneira muito inteligente”, conta Ana, sobre a produção que já tem mais duas temporadas confirmadas. “A série ainda é quase um cartão postal de São Paulo”, comemora.

Bisexualidade

No ano passado, Ana Hikari começou a falar publicamente sobre ser bissexual. Hoje, avalia que se abrir sobre sua sexualidade não prejudicou sua carreira ou vida pessoal. A atriz afirmou que foi surpreendida positivamente com o acolhimento do público.

“Muitas pessoas que buscam uma referência a bissexualidade me veem como uma referência. Fico feliz, porque passei minha adolescência inteira sem nenhuma e sem entender que a minha sexualidade era válida. Fico feliz se eu posso dar o mínimo de alívio para aqueles que estão se descobrindo.”

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