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A segunda fase da Operação Drácon, realizada nesta sexta-feira (2/9) na Câmara Legislativa, foi motivada pelos fortes indícios de que houve queima de arquivo por parte de deputados distritais e servidores da Casa, com o objetivo de destruir provas que comprovassem a existência de um esquema de propina para a destinação de emendas parlamentares.

“Na primeira vez, sabíamos que ela (Liliane Roriz) havia fornecido informações e, por isso fomos no locais necessários. Agora, temos que constatar o que sumiu da Vice-Presidência”, explicou o promotor de Justiça Clayton Germano, que integra a força-tarefa criada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para apurar os grampos feitos pela filha do ex-governador Joaquim Roriz, quando ainda ocupava o segundo cargo mais importante da Câmara.

Durante a ação desta sexta, foram inspecionados locais que não foram objeto de busca na primeira fase da operação. Também foram conferidos os computadores dos gabinetes para verificar se houve a subtração de algum equipamento ou a eliminação de arquivos eletrônicos. A busca, autorizada pela Justiça, foi feita nos gabinetes dos deputados distritais Celina Leão (PPS), Julio Cesar (PRB), Cristiano Araújo (PSD), Raimundo Ribeiro (PPS) e Bispo Renato (PR), bem como na Presidência, Vice-presidência, 1ª, 2ª e 3ª Secretarias e gabinete da Mesa Diretora da Casa.

Também foi alvo o computador do servidor responsável pela redação e digitação da Emenda 8 ao PL 811/2015, que transferiu R$ 30 milhões de sobras orçamentárias de 2015, originalmente destinadas ao pagamento de obras de infraestrutura, para o pagamento de dívidas com empresas que prestaram serviços à Secretaria de Saúde, principalmente nas áreas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de hospitais.

Participaram da segunda fase da Operação Drácon seis promotores e três agentes de segurança do MPDFT, além de 38 policiais, entre delegados, agentes, escrivães e peritos.

Entenda o caso
Liliane Roriz teria começado a grampear os colegas no fim do ano passado, quando os parlamentares decidiam sobre o que fazer com uma sobra orçamentária da Casa. Em um primeiro momento, os recursos seriam destinados ao GDF para custear reformas nas escolas públicas. De última hora, no entanto, o texto do projeto de lei foi modificado e o dinheiro – R$ 30 milhões de um total de R$ 31 milhões – realocado para a Saúde. O valor foi destinado ao pagamento de serviços vencidos em UTIs da rede pública.

Na ocasião, Liliane teria questionado Celina Leão sobre a mudança na votação. No áudio, é possível ouvir a então presidente da Câmara falando que o “projeto” seria para um “cara” que ajudaria os deputados. Celina disse ainda que Liliane não ficaria de fora: “Você (Liliane) tá no projeto, entendeu? Você tá no projeto. Já mandei o Valério (ex-secretário-geral) falar com você.”

Outros parlamentares
As denúncias feitas por Liliane atingem outros distritais, como o Bispo Renato Andrade e Julio César. Segundo é possível ouvir nas gravações, os dois teriam tentado fazer uma negociação com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. De acordo com o que Valério Neves diz em um dos áudios, o empresário poderia intermediar contratos com a Secretaria de Educação. Mas Assad não teria levado a cabo o “compromisso”. “O Afonso disse que não poderia garantir nada”, diz Valério Neves em um dos trechos.

Com a negativa do empresário de participar do tal “compromisso”, segundo explica Valério nos áudios, o deputado Cristiano Araújo teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao dizer o quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurra que seria “em torno de 7%”. E diz ainda que todos os integrantes da Mesa Diretora tinham conhecimento do acordo. Celina, por sua vez, diz que se fosse para eles receberem algum tipo de ajuda, teria de ser para todos.

Celina, Julio, Raimundo e Bispo Renato foram afastados da Mesa pela Justiça no dia 23 de agosto. Todos negam irregularidades na destinação de sobras orçamentárias da Câmara Legislativa.

 

 

 

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