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Jonas Zandoná, 44 anos, foi autuado em flagrante por feminicídio, homicídio triplamente qualificado por motivo torpe e sem chance de defesa da vítima. Para a Polícia Civil, o suspeito jogou a companheira do terceiro andar de um prédio residencial na 415 Sul, nessa segunda-feira (6/8). Carla Grazielle Rodrigues Zandoná, 37, chegou a ser socorrida. No entanto, teve uma parada cardíaca e morreu por volta de 19h35. A vítima já havia denunciado o companheiro por agressão duas vezes. A última, em 2016, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).

De acordo com o delegado da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), João de Ataliba Neto, a mulher tinha marcas de lesão no braço esquerdo. “Não sabemos se é recente. Teremos que esperar o laudo cadavérico e do local para saber o que ocorreu”, disse. Uma testemunha relatou que as brigas entre o casal eram constantes.

Segundo o delegado, uma testemunha viu o momento em que a vítima caiu. A pessoa teria interfonado no apartamento. Jonas atendeu, respondeu apenas “pronto” e desligou. Quando a polícia chegou ao prédio, o acusado afirmou que estava dormindo e não se lembrar de nada. O casal morava com um idoso de 78 anos, que seria dono do imóvel, há 18 anos. Eles residiam há uma década no imóvel. A relação entre os três ainda não foi explicada.

 

Quando os policiais chegaram para atender a ocorrência, a porta do apartamento teve de ser arrombada. Jonas estava dentro do imóvel. “Ele toma remédio para esquizofrenia e falava frases desconexas no momento da prisão. Também apresentava sintomas de embriaguez”, contou o sargento da PM Sérgio Pereira ao Metrópoles.

Taxista
O episódio ocorre um dia após outra bárbarie chocar o Distrito Federal. Na noite de domingo (5), o taxista Edilson Januário de Souto executou a tiros a esposa, Marília Jane de Sousa Silva, após uma discussão do casal.

Depois de matar a companheira, estacionou o carro da vítima dentro do terreno, fechou o portão e saiu. O crime foi cometido na Quadra 405 do Recanto das Emas, por volta das 20h30. Até a última atualização desta reportagem, Edilson ainda não havia sido localizado pela polícia.

Somente em 2018, pelo menos 18 mulheres foram assassinadas no Distrito Federal. Os casos se assemelham não só pela brutalidade e covardia. O modo como os assassinos agem é parecido. De acordo com especialistas, os algozes, geralmente pessoas com quem as vítimas se relacionam, começam com pequenas exigências, cenas de ciúmes, cobranças, brigas seguidas de presentes e pedidos de desculpas com promessas de mudanças.

Acuadas e sob constante ameaça, em geral, as mulheres optam por não fazer a denúncia quando ocorre a primeira agressão. Depois, é um caminho sem volta. O Estado falha no combate à violência e proteção às vítimas. A família, muitas vezes, não consegue evitar consequências mais graves. Assim, as tragédias vêm ocorrendo.