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Mais de 600 mil pessoas passaram pelos seis cemitérios do DF nesta quinta-feira (2/11). Os dados são da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social. O Dia de Finados rendeu homenagens aos entes queridos e, quem foi ao local, encontrou solidariedade. O Pastoreiro Jovem do Santuário do Santíssimo Sacramento, ligado à Igreja Católica, ofereceu abraço grátis logo na entrada do cemitério.

Danilo Teixeira, líder do grupo, diz que foi a primeira ação realizada no Campo da Esperança. “Diante de tantas notícias ruins, achamos que o abraço é uma boa forma de dar conforto a quem precisa”, disse.

Com o templo nublado, mas sem chuva, muitos aproveitaram para levar flores, rezar e visitar os túmulos logo pela manhã. Um dos mais visitados era o de Ana Lídia, sequestrada e morta em 1973. Seu corpo foi achado em um terreno perto da Universidade de Brasília (UnB), na Asa Norte. Nesta quinta, como todos os anos, os visitantes depositaram diversas bonecas e flores sobre a lápide dela.

O autônomo Rafael Garcia, 31 anos, esteve no local e rezou pela garota. “Eu tenho uma filha de 7 anos e venho aqui desde que ela nasceu. Rezo para que outros pais não passem pelo o que os de Ana Lidia passaram”, diz.

Se no túmulo da menina o movimento era intenso, o mesmo não ocorria em outro, da família do fundador de Brasília, Juscelino Kubitscheck, um dos mais bem cuidados do Campo da Esperança da Asa Sul. Havia poucas pessoas no local nesta quinta. Dois buquês de flores foram colocados sobre a lápide.

Diante da movimentação intensa no cemitério, muitos visitantes tiveram de encarar filas demoradas para ir ao banheiro. No das mulheres, teve gente que esperou mais de 20 minutos para ter acesso aos sanitários. “É uma falta de cuidado com a gente. Há muitas idosas que não dão conta de se segurar por tanto tempo”, desabafou a servidora Lourdes Paiva, 48.

“Vou cuidar deles para sempre”
Num passeio rápido pelo cemitério foi possível ver túmulos quebrados e mato alto. Para Maria Evangelista, 81, esses são problemas recorrentes. Ela passou a visitar o cemitério mensalmente há 25 anos, desde que o filho e o marido morreram em um acidente de automóvel numa estrada que liga Minas Gerais ao DF. “Tenho medo de que o túmulo fique abandonado se eu não vier. Vou cuidar deles para sempre”, afirma.

 

 

 

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