Após queixa de barulho, PM mata vizinho a tiros em Águas Claras

De acordo com o policial, temendo ter sua arma retirada, ele fez um único disparo. A 21ª Delegacia de Polícia (Pistão Sul) investiga o caso

Victor Fuzeira/Metrópoles

atualizado 10/12/2019 14:22

Após uma discussão sobre barulho na vizinhança, um policial militar de 31 anos acabou matando o vizinho a tiro na noite dessa segunda-feira (09/12/2019). A vítima chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

A discussão ocorreu por volta das 22h20, na QS 7, no Areal, na região de Águas Claras. O PM, lotado no 4º Batalhão (Guará), se dirigia à portaria do seu prédio para registrar reclamação por perturbação quando se deparou nas escadas do Bloco C com Kley Hebert Gusmão, 51 anos, morador do Bloco B.

Durante a briga, eles acabaram trocando empurrões e se agredindo. De acordo com o policial, temendo ter sua arma retirada, ele fez um único disparo. O militar solicitou socorro. Logo em seguida, o morador foi encaminhado ao Hospital Regional da Ceilândia (HRC), mas não resistiu.

O PM se apresentou na 21ª DP (Pistão Sul) para registrar o caso e foi liberado. Questionada pelo Metrópoles, a PMDF informou que “já iniciou os procedimentos legais relacionados ao caso”. A corporação não detalhou quais medidas serão adotadas nem informou o nome do policial.

A ocorrência foi registrada como homicídio na 21ª DP e segue em investigação.

Moradores assustados

Em entrevista ao Metrópoles, moradores e funcionários do prédio disseram que a vítima morava sozinha e se mudou há pouco tempo para o Residencial Safira, na Rua 800. “Não tinha muito tempo que ele morava aqui, não. Graças a Deus, não estava na hora. Fiquei sabendo depois. Mas a gente fica assustada”, contou uma funcionária do prédio, que não quis se identificar.

Uma moradora do edifício confirmou que a confusão começou nas escadas do Bloco C, onde o militar mora. “Eles discutiram. Todo mundo ouviu. Teve agressão e foi quando [o PM] disparou. Ele mesmo chamou a ambulância depois”, disse.

Segundo os vizinhos, Kley era alvo constante de reclamações por causa do barulho que fazia no apartamento. O policial não foi encontrado no prédio na tarde desta terça.

Médico morto com carabina

Em 28 de novembro deste ano, outro caso envolvendo policial militar gerou grande repercussão. O médico endocrinologista Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, foi morto por um PM durante abordagem na madrugada da quinta-feira (28/11/2019), na 314/315 Sul. A ocorrência é investigada pela 1ª DP (Asa Sul) e Corregedoria da PMDF.

Segundo a PM, os militares viram dois homens em atitude suspeita. Eles estavam em frente ao Teatro dos Bancários, perto de uma caminhonete.

Os policiais deram voz de abordagem e, segundo os relatos da corporação, um dos homens sacou uma arma e apontou para os PMs.

Um soldado reagiu e fez um disparo que acertou o médico. Ele foi afastado das ruas. A vítima estava desarmada. O homem que estava com o endocrinologista é um PM reformado e portava uma arma calibre .38.  O policial nega que tenha apontado a arma para os militares.

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