Após dizer que ciclista morto estava “no lugar errado”, advogada recebe censura de entidade

Para a associação, fala de defensora coloca a culpa do acidente na vítima. Profissional disse ter sido "mal interpretada"

atualizado 12/10/2021 19:27

Ong rodas da paz, instala ghost bikes em homenagem a ciclistas que morreram nas vias do DF 1Gustavo Moreno/Especial Metrópoles

A Associação dos Ciclistas de Planaltina-DF e Região (Asciclo) emitiu nota de repúdio contra a defesa do servidor da Universidade de Brasília (UnB) Marco Antônio Ferreira Lopes, 29, que atropelou e matou o ciclista Gilson da Silva, 36, no último domingo (10/10). Na ocasião, a advogada do acusado, Neiva Esser,  afirmou que a vítima estava no “local errado na hora errada”.

“O infeliz comentário da advogada parece tentar colocar como culpa do ciclista Gilson, a sua morte, passando também a impressão que nós, ciclistas, somos irresponsáveis, ao optarmos por nos deslocar de bicicleta pelas vias de nossa cidade”, escreveu a associação.

O comentário de Neiva foi dado ao Metrópoles. “Ele saiu tonto do carro por causa do airbag. O carro bateu na guia, o airbag veio no rosto dele e, quando ele perdeu o controle do veículo, infelizmente o ciclista estava no lugar errado e na hora errada”, afirmou.

A associação lembra que Gilson tinha o direito de transitar na via. “Isso está claríssimo no Código de Trânsito Brasileiro, onde diz que a preferência é sempre do pedestre e/ou ciclista”, argumenta a Asciclo.

Expulsão

Depois do comentário, a advogada, que também usa bicicleta e fazia parte de grupos de pedais, foi expulsa de grupos de WhatsApp de comunicação de ciclistas.

Procurada para comentar a nota, a defensora afirmou respeitar os ciclistas e que a afirmação foi mal interpretada. “Respeito os ciclistas, sou uma ciclista também e fiquei muito chateada de ter sido removida dos grupos. Tenho todo o cuidado respeito e carinho pelos ciclistas e estou somente exercendo meu papel enquanto advogada”, argumentou.

Um grupo de ciclistas organizou um protesto nessa segunda-feira (11/10) pela morte de Gilson, em Planaltina. Veja:

O caso

Depois do acidente, Gilson da Silva foi levado ao Hospital de Planaltina, mas não resistiu aos ferimentos.

Testemunhas contaram à 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) que o condutor do veículo estava com sinais de embriaguez. O motorista foi detido em flagrante no local do acidente depois de se recusar a fazer o teste do bafômetro. Nesta terça-feira (12/10), ele foi solto em audiência de custódia.

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