
Ilca Maria EstevãoColunas

Vendas do grupo Kering, dono da Gucci, caíram 15% no primeiro semestre
O grupo Kering, dono da Gucci, relatou queda de 15% nas vendas da primeira metade de 2025, reflexo da atual crise no setor de luxo
atualizado
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O grupo de luxo francês Kering divulgou, na terça-feira (29/7), os resultados do primeiro semestre deste ano. A holding é dona de grifes como Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta e Balenciaga, e registrou queda de 15% (em base comparável) nas vendas durante o período, em comparação a 2024. A Gucci, especificamente, teve uma queda de 25% no segundo trimestre, para 1,46 bilhão de euros, um recuo semelhante aos três meses anteriores.
Os números negativos refletem o cenário de crise no mercado de luxo, que vem sofrendo uma desaceleração. Vem saber mais!

Números do primeiro semestre
O declínio de 15% nas vendas, no entanto, estava de acordo com o esperado pelo grupo. Já em relação aos lucros operacionais recorrentes, a queda do conglomerado foi de 39% (para 969 milhões de euros, ou R$ 6,1 bilhões) e, na Gucci, de 50%.
O lucro líquido, por sua vez, diminuiu 46% (para 474 milhões de euros, ou R$ 3 bilhões) quando comparado ao mesmo período de 2024. Na segunda maior marca de moda da companhia, a Saint Laurent, o declínio nas vendas do segundo trimestre foi de 10% comparável.
A demanda nos Estados Unidos e na Europa Ocidental teve 13% de queda nas vendas. Outros impactos incluem a redução do consumo na China, bem como o fluxo reduzido nas lojas. A valorização do iene, moeda japonesa, e a diminuição do turismo no Japão também estão entre os fatores para a baixa nos números.
Na galeria abaixo, relembre as marcas da divisão de moda do grupo Kering:
Relevância da Gucci no grupo
A queda nos números da Gucci representa uma perda significativa nos resultados da Kering, já que a marca italiana corresponde a dois terços dos lucros operacionais de todo o conglomerado, e também a metade das vendas.
A etiqueta começou a desapontar há cerca de quatro anos, ainda na gestão criativa de Alessandro Michele, que atualmente assina as coleções da Valentino, mas já não encantava o público da Gucci como antes.
A expectativa da holding, possivelmente, é que, com a futura estreia de Demna (ex-Balenciaga) como diretor criativo, haja uma reviravolta no interesse dos compradores.
Em março, no entanto, o anúncio da mudança não agradou ao mercado. Em um único dia, as ações da empresa-mãe caíram mais de 10%, logo após o estilista ser apontado como substituto de Sabato de Sarno, que ficou só dois anos à frente do cargo.


Mudança de CEO
Em setembro, o executivo Luca de Meo assume o cargo de CEO do grupo Kering, substituindo François-Henri Pinault, que seguirá como chairman (presidente do conselho administrativo). Ele estava à frente de ambas funções desde 2005. Italiano, De Meo tem 58 anos e uma longa trajetória em companhias de automóveis, sendo a mais recente delas a Renault, onde tornou-se CEO em 2020.


Situação na LVMH, principal concorrente
Dona da Louis Vuitton e da Dior, a LVMH é outra grande empresa que tem sofrido os efeitos da desaceleração no setor de luxo. A companhia, maior concorrente da Kering, também compartilhou recentemente os resultados, revelando uma queda de 22% nos lucros líquidos dos primeiros seis meses deste ano.












