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Ilca Maria Estevão

Rihanna busca nos camafeus o toque vintage que a Fenty precisava

Amplamente utilizada na temporada de primavera/verão 2020, Belle Époque ressurge no ramo de acessórios por meio de nova grife da cantora

07/11/2019 05:30, atualizado 07/11/2019 10:02
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Reprodução/Instagram/@fenty
Rihanna busca nos camafeus o toque vintage que a Fenty precisava

Quando Rihanna lançou sua primeira investida no mercado de luxo com a grife Fenty, a cantora mostrou que a parceria com o grupo LVMH levaria um perfil urbano e moderno ao segmento. No entanto, com a ascensão das modelagens vintage na temporada de primavera/verão 2020, a empresária se viu fora da maior tendência do momento. Até agora. As roupas da label ainda miram o futuro, mas sua nova linha de joias buscou no século 19 o toque retrô que a marca precisava para competir com as grandes concorrentes do setor.

Vem comigo conferir!

Graças ao sucesso da série Game of Thrones, o mood palaciano voltou à moda para suprir um desejo cravado no subconsciente das fãs da série. Afinal, após oito temporadas, é natural que muita gente tenha desejado ser rainha de Westeros em alguns dias.

James Devaney/GC Images
As guerreiras da série impactaram o Met Gala 2018, pelas mãos de Zendaya…
Marc Piasecki/FilmMagic
… e o festival de Cannes, na escolha da atriz Tilda Swinton
Peter White/Getty Images
Na passarela de outono/inverno 2019/20 da Paco Rabanne
Catwalking/Getty Images
O inverno 2017 de Elie Saab celebrou o show
 Ernesto Ruscio/Getty Images
Desfile da Valentino, em 2015
Michael Kovac/Getty Images for JNSQ Wines
Capas, plissados e mangas amplas no inverno 2019 da Rodarte
Claudio Lavenia/Getty Images
As mangas bufantes da Givenchy invadiram o street style

Nesse contexto, as mangas bufantes, cotas de malha, golas altas e capas pipocaram nas passarelas da temporada de inverno, abrindo as portas do passado para uma outra tendência das semanas de moda internacionais há pouco mais de dois meses.

Depois dos anos 1980 e 1990 tomarem as ruas, chegou a vez da Belle Époque dominar o universo fashion. O período, que compreende o final do século 19, serviu de referência para várias casas de luxo comporem sua primavera/verão 2020, entre elas Alexander McQueen, Erdem, Burberry, Marc Jacobs, Christian Dior, Chloé, Comme des Garcons e Christopher Kane.

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Alexander McQueen apostou na Belle Époque
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… bem como a Louis Vuitton
Victor Boyko/Getty Images
Período que compreendeu o final do século 19 foi a inspiração de Nicolas Ghesquière
Mike Marsland/WireImage
Na Erdem, as composições de época também brilharam
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Mais um look Erdem
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Na Burberry
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Marc Jacobs deu seu toque com flores coloridas
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Na Comme des Garcons
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Esferas agregaram modernidade à criação de Christopher Kane
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A Belle Époque pela interpretação da Christian Dior

De olho na movimentação, a cantora Rihanna resolveu dar um toque vintage em sua nova label, ressignificando uma peça icônica do período. Técnica de escultura usada em broches e pingentes desde a antiguidade, os camafeus ganharam uma reinterpretação muito atual por meio da Fenty.

Geralmente usado para retratar figuras importantes da história, esse tipo de acessório costumava retratar pessoas brancas em seu design. Porém, estamos diante do nome responsável por trazer a inclusão para mercado de lingeries, logo, para sua nova linha de joias, a estrela de Barbados decidiu usar uma imagem de uma mulher negra nas criações.

Reprodução/Instagram/@fenty
Desenho feito para os camafeus Fenty
Reprodução/Instagram/@fenty
Molde esculpido a mão

Os itens são feitos em resina e vidro, aprimorados com pequenas pérolas e pedras. A coleção tem brincos, anéis e até um broche que se converte em pingente. “É um emblema de destemor, elevação, criatividade e alegria, tudo o que Fenty representa”, disse a grife em comunicado.

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Processo de criação das joias
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Itens receberam aplicações de pedras e pérolas
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O busto é feito de resina e depois pintado
Reprodução/Instagram/@fenty
Peça final

Enquanto a mulher que protagoniza a linha usa tranças agrupadas em coques, sua campanha, capturada pela fotógrafa nigeriana Ruth Ossai, concentra-se nos inúmeros estilos de cabelo celebrados na cultura negra. O cabeleireiro Issac Poleon é o responsável pelos penteados afro do shooting.

“Tudo o que Rihanna faz é sobre permitir que as pessoas se sintam lindas e reconhecidas, independentemente de forma, tamanho ou cor. Ela tem tanto a dizer que as possibilidades parecem infinitas”, disse Jahleel Weaver, colaboradora da popstar, em entrevista à Vogue.

Fenty/Divulgação
Coleção tem brincos, anéis e até um broche que se converte em pingente
Fenty/Divulgação
Mulheres negras protagonizam a campanha da linha
Fenty/Divulgação
Shooting foi feito pela fotógrafa nigeriana Ruth Ossai
Fenty/Divulgação
O cabeleireiro Issac Poleon assinou a beleza das fotos

Usados na linguagem cabalística como quadrados mágicos, os camafeus, a princípio, representavam antigos guerreiros e governantes. Já na Grécia Antiga, o acessório era usado pelas mulheres para transmitir que elas já estavam aptas a fazer sexo, quando havia a imagem do deus Eros em suas produções.

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Na Grécia Antiga, as mulheres usavam camafeu com a imagem do deus Eros para dizer que estavam aptas a fazer sexo
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As primeiras peças representavam guerreiros e governantes
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Criação concebida no século 19 por Fortunato Pio Castellani
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Pingente com o retrato de Augustus exibido no Museu de Londres
DeAgostini/Getty Images
Joia com a figura de Agrippina Menor, feita no século 13
Photo12/Universal Images Group via Getty Images
Retrato de Napoleon Bonaparte, do inicio do século 19

O papa renascentista Paulo II foi um grande colecionador de camafeus e Napoleão teria usado um em seu casamento. No século 18, quando jovens ricas começavam a viajar, traziam peças que retratavam as ruínas dos países visitados como lembranças, enquanto, no século 19, todas acrescentavam o item em seus colarinhos para elevar o visual.

Nos anos 2000, nomes como Paris Hilton e Sarah Jessica Parker trouxeram o acessório de volta aos holofotes, mas as demais tendências da época não eram um bom pano de fundo para o estilo vintage da escultura.

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Rainha Victoria usava pulseira com escultura de seu noivo, Albert
Fine Art Images/Heritage Images/Getty Images
Sophie Dorothea de Württemberg (1729-1828) com seu camafeu
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Sophia Loren usou o acessório nas filmagens de A Queda do Império Romano
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A atriz Sarah Jessica Parker apostou no item para receber o Globo de Ouro, em 2002
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No 45º aniversário da Valentino, em 2007, ela voltou a investir nas figuras esculpidas
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No Met Gala de 2016, quando o tema era Humanos x Máquinas: A moda na era da tecnologia
Marc Andrew Deley/FilmMagic
Nicky Hilton e Paris Hilton no desfile da Marc Jacobs, nos anos 2000
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Tori Spelling ainda naquela década
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Katy Perry no 28º Aria Awards, em 2014

Colaborou Danillo Costa