
Igor GadelhaColunas

Projeto do governo sobre 6×1 não prevê regra de transição para setores
Projeto do governo sobre 6×1 será tema do almoço entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, nesta terça (14/4)
atualizado
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O governo Lula fechou o texto do projeto de lei que pretende enviar à Câmara nos próximos dias sobre o fim da escala 6×1. E a proposta é mais rígida do que a PEC que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A coluna apurou com fontes do Palácio do Planalto que o texto reduz a jornada de trabalho e propõe a escala 5×2, com 40 horas semanais, ou seja, cinco dias de trabalho com oito horas diárias e dois dias de folga.
O projeto, no entanto, não tem uma regra de transição para os setores. Há apenas um período de aproximadamente três meses de adaptação para as empresas. Ao contrário do que deve acontecer com o texto da PEC.
Um período de transição é defendida pelo Centrão como condicionante para o avanço da PEC 6×1. A proposta, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), por exemplo, prevê a redução da jornada com dez anos para adaptação.
Já a proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), apensada à PEC de Reginaldo Lopes, mantém as 36 horas semanais, com uma escala de quatro dias de trabalho para três de folga, sem regra de transição.
incoAlmoço entre presidentes
Lula afirmou que pretende enviar a proposta ao Congresso nesta semana. Antes, porém, o chefe do Executivo tem um almoço nesta terça-feira (14/4) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do tema.
Motta tem interesse em avançar com o fim da escala 6×1, mas prefere que o assunto seja tratado por PEC para que a Câmara tenha protagonismo sobre a redução da jornada, sem a assinatura do governo federal.
A coluna mostrou que o ex-líder do governo na Câmara e agora ministro da articulação política, José Guimarães, considera um “erro” o Planalto enviar um projeto de lei sobre a 6×1 com urgência constitucional.
O envio do projeto de lei é endossado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Ambos acreditam que a Câmara não está dando celeridade ao tema.
A redução da jornada de trabalho será explorada pelo PT como mote da campanha à reeleição de Lula. No cronograma de Motta, a PEC será votada na CCJ da Casa na quarta-feira (15/4); depois, será analisada pela comissão especial e, por fim, votada no plenário até meados de maio.







