Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Pastor lobista do MEC levou secretária para evento do FNDE em SP

Nely Carneiro da Veiga Jardim, apontada como secretária dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, esteve em evento do MEC em Nova Odessa

atualizado 28/03/2022 17:36

Ministro Milton Ribeiro e o pastor Arilton MouraLuis Fortes/ MEC

O pastor Arilton Moura, acusado de atuar como um lobista informal do Ministério da Educação e de pedir propina para prefeitos, solicitou aos organizadores de um evento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que fosse emitida uma passagem de avião para que a sua secretária particular participasse de uma cerimônia organizada em Nova Odessa.

Gestores ouvidos pela coluna confirmaram que Nely Carneiro da Veiga Jardim participou do “gabinete itinerante” do FNDE em Nova Odessa, no dia 21 de agosto do ano passado. O evento reuniu as autoridades de aproximadamente 70 cidades no interior de São Paulo.

Nely foi identificada em reportagens como uma intermediadora dos pastores Arilton e Gilmar Santos para negociar a liberação de verbas com prefeitos. Apesar de não ter cargo no Ministério da Educação, Nely falava em nome da pasta ao abordar os gestores, conforme revelaram os jornalistas Delis Ortiz e Paulo Saldaña.

Outra pessoa que acompanhou os pastores em Nova Odessa foi o advogado Luciano Freitas Musse, que foi nomeado gerente de projetos no Ministério da Educação em abril do ano passado. O advogado frequentava os encontros que os pastores mantinham com prefeitos em Brasília. A presença de Musse no evento também teria sido um pedido feito por Arilton.

A atuação dos pastores em Nova Odessa levou à abertura de um processo na Controladoria-Geral da União (CGU). A coluna revelou que o presidente do Avante de Piracicaba, José Edvaldo Brito, contou ao então ministro da Educação, Milton Ribeiro, sobre irregularidades cometidas pelos líderes religiosos. Brito participou da organização do evento em Nova Odessa, que teve a participação de Ribeiro. O ministro se demitiu nesta segunda-feira (28/3).

No último dia 24, Brito afirmou ter prestado depoimento à CGU, mas não forneceu maiores detalhes. Ele marcou uma entrevista coletiva para esta terça-feira (29/3) para tratar sobre o caso.

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