Guilherme Amado

Deltan cita acordo com Odebrecht mas usa trecho de outro documento  

Ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol usou, na verdade, acordo de leniência de CGU e AGU com empresas Technip e Flexibrás

atualizado

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Deputado Deltan Dallagnol se despede do Plenário Ulysses Guimarães prestigiando discurso do deputado Marcel van Hattem (Novo) defendendo seu mandato 3
1 de 1 Deputado Deltan Dallagnol se despede do Plenário Ulysses Guimarães prestigiando discurso do deputado Marcel van Hattem (Novo) defendendo seu mandato 3 - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol publicou nesta quinta-feira (7/9) um trecho de um acordo de leniência do governo federal como se fosse o firmado com a Odebrecht. Dallagnol usou, na verdade, um trecho do acordo assinado pelas empresas Technip Brasil e Flexibrás em 2019.

A publicação de Dallagnol no Twitter criticou uma decisão do ministro do STF Dias Toffoli, que nesta quarta-feira (6/9) anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht com o Ministério Público Federal. O acordo em questão com a empreiteira foi concluído em 2016, e homologado em 2017 pelo então juiz Sergio Moro, hoje senador.

Deltan cita acordo com Odebrecht mas usa trecho de outro documento
Deltan cita acordo com Odebrecht mas usa trecho de outro documento

“Acordo da CGU-AGU com Odebrecht teve cláusula idêntica à da Lava Jato. […] Toffoli anulará também? Mandará Polícia e AGU investigar? Ou era só pra se vingar da Lava Jato mesmo?”, escreveu o ex-procurador e ex-deputado na manhã desta quinta-feira (7/9).

A imagem compartilhada por Dallagnol é parte de um acordo de leniência firmado em 2019 entre a Controladoria-Geral da União (CGU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e as empresas Technip Brasil e Flexibrás. As companhias foram investigadas na Lava Jato e se comprometeram a devolver R$ 819 milhões à Petrobras. O documento de 37 páginas foi assinado no governo Bolsonaro, em 25 de junho de 2019, pelo CGU Wagner Rosário e pelo AGU André Mendonça. O acordo é público e pode ser acessado neste link da CGU.

O acordo de leniência fechado entre Odebrecht, AGU e CGU, por seu turno, previa um ressarcimento de R$ 2,7 bilhões. O material tem 23 páginas e foi finalizado no governo Temer, em 9 de julho de 2018, com assinaturas do CGU Wagner Rosário e da AGU Grace Mendonça. Esse acordo também é público e está disponível neste outro link da CGU.

A decisão de Toffoli desta quarta-feira (6/9) diz respeito apenas ao acordo firmado entre a Odebrecht e o MPF e, até agora, não interfere neste acordo de leniência que Dallagnol buscou citar.

Procurado, Deltan Dallagnol não respondeu. O espaço está aberto a eventuais manifestações.

(Atualização às 14h49 de 7 de setembro de 2023: Em nota, Deltan Dallagnol falou que publicou a imagem errada por um “lapso”: “Por lapso o print é de outro acordo, com Technip, também da AGU-CGU na Lava Jato, mas o raciocínio é o mesmo. E no acordo CGU-AGU com Odebrecht, há cláusula semelhante à qual se aplicaria o mesmo raciocínio de Toffoli. Agradeço por ter chamado minha atenção para o equívoco no print”.)

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Após denúncias de irregularidades, o comércio suspendeu as atividades temporariamente
Manifestações de apoio à Lava Jato ocorreram em várias cidades do país
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Presidente Lula e ministro Dias Toffoli, do STF
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O nome Lava Jato foi escolhido porque um dos locais que movimentava dinheiro de origem ilegal era um posto de combustíveis e lava a jato de veículos em Brasília
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Brasilienses se manifestaram à favor da Lava Jato
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Odebrecht, hoje Novonor, assinou acordo com a Lava Jato para pagar R$ 3,8 bilhões
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