
Demétrio VecchioliColunas

MAM relata infiltrações após reforma da Marquise do Ibirapuera
Museu recebeu prédio de volta após obra da Urbia e diz que identificou inúmeras infiltrações na caixilharia
atualizado
Compartilhar notícia

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) relata graves falhas de infiltração depois que uma chuva forte na terça-feira (27/01) alagou a Marquise do Ibirapuera, onde está instalado, dentro do Parque do Ibirapuera.
Em ofício à prefeitura de São Paulo, a presidente do museu disse que todas as patologias do prédio deveriam estar sanadas após a devolução do edifício ao MAM pela concessionária Urbia, na segunda (26/01), mas as infiltrações indicam “possível falha no sistema de drenagem e/ou vedação”.
“A despeito da reabertura da Marquise no dia 24 de janeiro de 2026 e entrega do prédio ao Museu em 26 de janeiro de 2026, momento no qual todas as patologias presentes no edifício deveriam estar sanadas, foram identificadas
inúmeras infiltrações na caixilharia, indicando possível falha no sistema de drenagem e/ou vedação”, escreveu Elizabeth Machado de Oliveira.
No documento enviado à prefeitura, ela afirma que, em decorrência das fortes chuvas que atingiram o Parque Ibirapuera na terça, foi constatado o transbordamento de todas as caixas de areia das descidas de águas pluviais internas no MAM. O museu pede que a Secretaria do Verde (SVMA) faça uma vistoria técnica com urgência para a adoção das providências necessárias.
A reforma da Marquise do Ibirapuera custou R$ 87 milhões à prefeitura de São Paulo, que contratou a obra junto à Urbia, a concessionária do parque. A contratação aconteceu quando o parque já estava concedido à empresa, que pertence à Construcap. Um dos argumentos da Urbia para realizar a obra foi que, como concessionária e, ao mesmo tempo, construtora, seria mais fácil de resolver eventuais falhas detectadas posteriormente.
Em ofício enviado em agosto, o MAM já cobrava a SVMA e a Urbia pelos itens que agora dão problema, citando que, por acordo entre as partes, a Construcap teria que “inspecionar as caixas de águas pluviais e adequar as descidas do novo sistema”
O MAM está fechado desde agosto de 2024 e a Urbia havia prometido devolver as chaves em janeiro de 2025. A obra realizada pela concessionária, porém, atrasou, e só agora é que o prédio voltou a ser administrado pelo museu, que ainda não anunciou data de reabertura.
Só até julho de 2025, o cálculo era de que o MAM teve prejuízo de R$ 7 milhões com a obra entre perda de receitas (R$ 2,7 milhões), obras necessárias para devolução do prédio em condições de uso (R$ 3,2 milhões), adaptação dos equipamentos existentes sobre a marquise (R$ 450 mil) e mudança de acervo, biblioteca e equipe durante as obras (R$ 1,7 milhões).
O que alega a Urbia
Em nota, a Urbia disse à coluna que “vistorias cautelares realizadas antes do início da requalificação da Marquise já haviam identificado graves deteriorações pré-existentes na caixilharia do edifício” e que o escopo da concessionária limitou-se apenas e tão somente à retirada e reinstalação desses mesmos elementos, não incluindo qualquer trabalho de recuperação.
“Em relação ao transbordamento de quatro caixas de drenagem no interior do edifício do MAM, ocorreu o mesmo problema de aumento de nível do Córrego do Sapateiro, impedindo a drenagem adequada, e a concessionária, como medida preventiva, fez uma limpeza da rede de forma a mitigar esse problema no futuro”, continuou a concessionária.
A empresa aproveitou para cobrar o poder público: “A Urbia reforça que a solução definitiva para impedir eventos dessa natureza depende de intervenções estruturais na região do Parque Ibirapuera, com o objetivo de equacionar essa nova realidade climática de volumes muitos elevados de chuva em curto espaço de tempo”.
Procurada, a assessoria de imprensa do MAM não respondeu.
