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Nossa rotina de compartilhar memes, vídeos de filhotes e looks do dia continua, mas as últimas semanas têm sido muito difíceis para o pessoal do Facebook. A rede está sendo investigada após descoberta recente de que os dados de mais de 50 milhões de usuários teriam vazado e sido usados na campanha do atual presidente norte-americano, Donald Trump. Entre advogados, boicote de grandes anunciantes e queda das ações na bolsa, o “preju” já chega a 50 milhões.

Mas como essas informações foram expostas e como isso nos afeta? Vamos resumir em tópicos.

1. Políticas de privacidade
Alguém aqui já parou para ler as políticas de privacidade do Facebook? Pois é! Você, na verdade, autorizou a rede a compartilhar as suas informações com parceiros. E aí, sabe aquele teste para saber como você vai ficar quando mais velho? Apps assim pedem autorização para pegar os seus dados, e você permite em troca de ter uma foto engraçadinha para mostrar aos amigos.

 

2. Vazamento de dados
Em 2015, um desses testes foi criado pelo pesquisador Aleksandr Kogan, e mais de 50 milhões de dados de usuários do Facebook foram coletados. Kogan passou as informações para a Cambridge Analytica, instituto britânico de análise dedicado a orientar clientes a tomar decisões baseadas nas preferências de um grupo-alvo.

A entidade norte-americana FTC (Federal Trade Commission, ou Comissão Federal do Comércio, em tradução livre), investiga agora a relação entre o Facebook e a Cambridge Analytica.

3. Campanha de Trump
Todos os dados coletados estão dentro das diretrizes do Facebook. A violação seria o uso desse conhecimento por terceiros, prática considerada ilegal pela rede social. E aí vem o lance: a Cambridge está ligada à campanha do atual presidente americano, que teve um forte apelo na web.

Reprodução/Twitter

 

Quando descobriu que os dados foram transferidos para a Cambridge Analytica, o Facebook excluiu Kogan da sua rede de parceiros e exigiu a destruição da informação. Tarde demais. A investigação agora busca entender se o conhecimento foi usado na estratégia de campanha de Trump.

4. Prejuízo
Zuckerberg correu para se explicar para os usuários da rede social e propôs modificações na política de privacidade do Face, mas um posicionamento mais concreto acerca da situação ainda está sendo aguardado. Enquanto isso, as ações da empresa caíram mais de 10% no último mês.

Fora isso, um boicote à rede vem sendo proposto e ganhando força com as hashtags #BoycottFacebook e #DeleteFacebook, especialmente no Twitter. A empresa de Zuckerberg já teve queda em dois pregões na bolsa de valores, um “preju” de mais de US$ 59 bilhões.

5. Como isso nos afeta?
Uma empresa com capacidade de analisar dados consegue estabelecer padrões de consumo. Isso é utilizado para criar um material específico para o usuário. As chances de manipulação e convencimento aumentam com a prática. Um exemplo hipotético: a coleta de informações do Facebook da Sarah detectou que ela ama moda. O discurso de apoio a Trump vindo de um grande estilista francês foi encontrado e compartilhado com Sarah por meio de conteúdo patrocinado. O subconsciente dela pensa: “nossa, se esse grande estilista gosta do Trump, talvez eu deva gostar também”. Deu para entender a lógica?

Os nossos dados entregam nossa personalidade e preferências, informações usadas para um determinado conteúdo manipulador chegar até nós. E aí entram também as famosas fake news, falsas notícias compartilhadas como verdadeiras.

Esse é o resumo da novela. Você acha que está compartilhando o meme do Chapolin Sincero para seus amigos, mas, na verdade, está fornecendo dados para empresas te manipularem.

As eleições no Brasil estão chegando e, em entrevista à CNN no dia 21 de março, Mark Zuckerberg declarou-se preocupado com o vazamento de informações dos usuários brasileiros para uso nas campanhas.

Como se “proteger” disso? Primeiro, cuidado com os testes bobos do Face que, na verdade, querem roubar seus preciosos dados. Segundo, não acredite em toda as informações da timeline e não saia compartilhando sem averiguar a notícia em outras fontes. Terceiro, mantenha-se atento e passe menos tempo lendo news curtas. Forme o seu próprio senso crítico com fontes mais ricas e variadas. Por último, o Facebook ou qualquer outra rede não vão durar para sempre, e nós conseguiremos viver sem elas!



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