Fetiche perigoso: comer alimentos nas partes íntimas é risco à saúde

Embora seja comum apimentar o sexo com chantilly, ou até introduzir vegetais nos órgãos genitais, especialistas são contra

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atualizado 24/09/2019 10:10

A cena é relativamente comum. Para apimentar o rala e rola, muitos casais recorrem a artifícios como lambuzar as partes íntimas com chantilly, leite condensado, chocolate, frutas ou até sushi, como sugeriu Geisy Arruda, para o bel-prazer do parceiro (ou de si mesmo). O fetiche pode até ser bem intencionado, mas é um perigo à saúde.

“Nutricionalmente não há problema. No entanto, há a questão da segurança alimentar. Há regiões do corpo, como o ânus, que têm muito risco de contaminação. Quando se faz isso, você leva para seu organismo microorganismos que não são normais ao trato gastrointestinal”, alerta a nutricionista Graice Kramer.

“Muita gente tem problemas como diarreia e acha que foi devido a algo que comeu e, na verdade, esse mal-estar pode acontecer devido a esse tipo de prática. Junto ao alimento, podem vir coisas prejudiciais, como a salmonella, que leva até a morte”, explica a especialista.

O alerta também se aplica a bebidas alcoólicas, como champanhe e tequila.

O ginecologista e obstetra Paulo Pontremolez faz coro ao posicionamento, e vai além. Há quem, além de se divertir passando comidas pelo corpo, sinta-se estimulado ao introduzir nos órgãos genitais algumas verduras e legumes, como pepino e cenoura, que têm formato parecido a de um pênis.

“Nunca é seguro a introdução de alimentos no canal vaginal. No restante da pele vale tudo, desde que não haja alergias. Porém, existe o risco real de infecção. Na vagina, por exemplo, temos alteração do pH vaginal, e o objeto introduzido pode estar contaminado de alguma forma”, defende.

De acordo com o médico, o principal risco é a dermatite de contato, irritação que causa coceira e ardência. “No entanto, infecções urinárias, bacterianas e fúngicas podem acontecer se houver contato com a uretra ou se a vagina não for capaz de corrigir seu pH naturalmente, após ter ele alterado por algum alimento”, complementa.

Uma forma de se prevenir seria colocar camisinha sobre o alimento, o que ajuda, mas ainda não é o ideal. “Vamos manter a comida na mesa e a diversão na cama”, finaliza Pontremolez.

SOBRE O AUTOR
Rebeca Oliveira

É formada em comunicação social e pós-graduada em jornalismo digital e produção multimídia pelo Centro Universitário Iesb. Possui cursos nas áreas de jornalismo de moda pela Escola de Negócios da Moda (EnModa) e de fotografia pela Universidade de Brasília (UnB). Atuou como repórter de cultura e gastronomia no Correio Braziliense e de comportamento nas revistas Encontro Brasília e Encontro Gastrô. Como freelancer, colaborou com portais como o HuffPost Brasil. Durante dois anos, foi editora-chefe do site e redes sociais do GPS|Lifetime.

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