Filha de Lucio Costa indigna-se com letreiro na Vila Planalto

Em publicação no Facebook, Maria Elisa Costa disse que se o pai fosse vivo, ele iria a Brasília tomar providências a respeito da sinalização

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 06/08/2019 16:50

A fixação de uma placa na entrada da Vila Planalto indignou Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa. A descendente do autor do projeto do Plano Piloto reprovou a colocação de letreiro com os dizeres: “Eu amo Vila Planalto” (com o símbolo de um coração no lugar do verbo). O problema não é a mensagem, mas uma suposta afronta ao plano urbanístico da cidade, que faz parte da área tombada na capital.

Pelas redes sociais, ela se manifestou: “Inacreditável! Se meu pai fosse vivo, era capaz de ir a Brasília para tomar uma providência”, disse, em publicação no Facebook nesse domingo (04/08/2019).

Maria Elisa defendeu a institucionalização do Centro Histórico da Capital Federal para “assegurar a preservação da identidade original do Plano Piloto”. “[Ele] diria, de cara: ‘Eles não desconfiam!'”, comentou.

A Associação de Moradores da Vila Planalto é a responsável pelo letreiro. Presidente da entidade, Vantuil Paulo de Santana defendeu que a placa serve para sinalização. Ele afirmou ter solicitado autorização à Administração Regional do Plano Piloto há um mês, mas não obteve retorno.

Disse, ainda, que houve participação dos residentes na inauguração do novo cartão postal. “A comunidade toda apoiou. Está todo mundo achando maravilhoso”, afirmou Santana. 

 

Quem alertou Maria Elisa sobre a intervenção foi o arquiteto e especialista em patrimônio histórico Rogério Carvalho. Ele afirmou que a sinalização visual fere as normas. “Há um decreto que cuida da questão da ambiência do bem tombado. Hoje, quando se passa na Avenida das Nações e se olha para o lado da Vila Planalto, há interferências imediatas: aquelas letras”, frisou.

O que diz o GDF

A Administração Regional do Plano Piloto disse, em nota, que o letreiro instalado na Vila Planalto é caracterizado como engenho publicitário e não existe autorização emitida pelo órgão.

A Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do DF (DF Legal) informou que enviará auditores ao local para cobrar a autorização de uso de área pública. “Caso não tenha, a associação será notificada a buscar a regularização”, acrescentou.

O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) afirmou que a Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) requisitará informações sobre a instalação do letreiro a fim de analisar a legalidade.

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) disse que a Central de Aprovação de Projetos (CAP) não deu autorização para a fixação da placa. Porém, segundo a pasta, o objeto pode ser considerado como engenho publicitário e licenciado, desde que esteja dentro das normas.

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Isadora Teixeira

Formada pelo Centro Universitário Iesb, atua como repórter do Metrópoles desde 2017. Na editoria de Cidades, cobre assuntos políticos relacionados ao Distrito Federal

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