"Terra plana", "metralhar"e "narrativa delirante": os votos no julgamento de Bolsonaro
Ministros continuaram com votação no terceiro dia de julgamento de ação movida pelo PDT que pode deixar Bolsonaro inelegível por 8 anos

No terceiro dia do julgamento que pode tornar Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos, a argumentação dos votos dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se destacou com frases como “terraplanismo”, “narrativa delirante” e “metralhar”. A apreciação desta quinta-feira (29/6) foi interrompida no começo da tarde, com três votos a favor da inelegibildade de Bolsonaro e um contra.
O ministro Floriano de Azevedo Marques foi o terceiro a votar nesta quinta. Em seu voto, Azevedo Marques fez referência à teoria da terraplanista para argumentar que todos podem ter suas crenças individuais, desde que elas não interfiram no cumprimento de outro direitos.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todas“Alguém pode acreditar que a Terra é plana, mesmo contra todas as evidências científicas. Esse sujeito pode ainda integrar um grupo de estudos terraplanistas ou uma confraria da borda infinita e dedicar seus dias a imaginar como um avião dá a volta no plano para chegar a outro extremo. Porém, se é um professor da rede pública, não lhe é permitido ficar a lecionar inverdades científicas aos seus alunos, pois isso seria desviar as finalidades educacionais que correspondem a sua competência de servidor docente”, argumentou o ministro.
Azevedo Marques também disse que não seria justo “metralhar, fulminar, extirpar qualquer ideologia, mas comportamentos abusivos devem ser coibidos”. A frase veio após o ministro defender que o mérito da apreciação não está no julgamento de “ideologia, mas sim os comportamentos patológicos, o uso abusivo de poder”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Não é democrático querer metralhar, fulminar, varrer, extirpar qualquer ideologia se amoldada aos ditames constitucionais. Isso seria odiosa intolerância. Mas comportamentos abusivos devem ser coibidos e sancionados, tenham lugar em governos de qualquer matriz ideológica. Assim tem feito este Tribunal. E assim deverá seguir fazendo”, citou o ministro do TSE.
Em 2018, enquanto estava em campanha pela disputa da Presidência, Bolsonaro usou o tripé de uma câmera de televisão para simular um fuzil e gritou aos seus apoiadores: “Vamo fuzilar a petralhada aqui do Acre!”, disse o ex-presidente em cima de um trio elétrico em Rio Branco (AC).
O quarto a votar nesta quinta-feira, o ministro André Marques criticou declarações feitas por Bolsonaro que colocavam a lisura do processo eleitoral em dúvida e caracterizou seus discursos como “narrativa delirante”.
“Não apenas a mera falta de rigor em certas proclamações, mas a inequívoca falsidade perpetrada nesse ato comunicacional, com invenções, distorções severas da realidade, dos fatos e dos dados empíricos e técnicos, chegando ainda a caracterizar uma narrativa delirante, com efeitos nefastos na democracia, no processo eleitoral, na crença popular em conspirações acerca do sistema de apuração dos votos”, disse o ministro durante o julgamento.
O único voto divergente do relator Benedito Gonçalves a respeito da inelegibilidade de Bolsonaro até agora foi o do ministro Raul Araújo, que livrou tanto o ex-presidente quanto o ex-candidato a vice, general Braga Netto.



