1ª criança vacinada tem deficiência motora e faz tratamento em SP

Davi Seremramiwe Xavante tem uma deficiência que afeta as pernas; ele é tratado no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas

atualizado 14/01/2022 17:01

O Governo de São Paulo inicia nesta sexta-feira (14), a vacinação do público infantil contra COVID-19, na faixa etária de 5 a 11 anos. O Governador João Doria (PSDB) acompanha o ato, realizado no Hospital das Clínicas – HCFMUSP. A expectativa do Governo de SP é vacinar 4,3 milhões de crianças no período de três semanas. Foto: Fábio Vieira/MetrópolesFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – A primeira criança vacinada contra a Covid-19 no Brasil é um garoto indígena de 8 anos. Davi Seremramiwe Xavante recebeu a dose do imunizante da Pfizer no início da tarde desta sexta-feira (14/1), em São Paulo.

Ele é nascido na tribo Xavante, do estado de Mato Grosso, e possui uma condição de saúde neurológica que afeta as pernas e o obriga a andar com ajuda de uma órtese. Ele mora em Piracicaba, no interior do estado.

A pesquisadora Fernanda Viegas Reichardt tem a guarda legal de Davi, e contou ao Metrópoles que o menino é acompanhado pela médica Magda Carneiro Sampaio. Foi a profissional quem fez a ponte com o governo para que Davi fosse a primeira criança a ser imunizada.

O pai do pequeno, o cacique Jurandir Siridiwe, viajava constantemente com o menino para São Paulo para que ele fosse tratado no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas. Mas, desde o ano passado, a criança passou a ser cuidada legalmente por Fernanda.

Jurandir participou da cerimônia por videoconferência. “Estou muito feliz de ver ele tomar a primeira dose, como um exemplo para a criançada de 5 a 11 anos. Que o resto do Brasil possa fazer esta campanha para que amanhã tenhamos alegria, sorriso e saúde em primeiro lugar. Vacina é importante. E que nós tenhamos toda a criançada 100% vacinada”, disse.

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Fernanda conheceu a tribo Xavante por causa de um projeto. “Tenho um trabalho longo lá. Entrei com um projeto de saneamento básico na aldeia porque tinha uma taxa de mortalidade infantil muito alta. Agora, estamos com taxa zero de mortalidade infantil desde 2018”, relata.

Ela disse que já havia feito apelos à médica de Davi para que ele pudesse ser vacinado contra a Covid-19 o quanto antes. Então, o Instituto da Criança do Hospital das Clínicas contatou a profissional, que indicou Davi. “É um alívio, né? Estou muito feliz”, comemorou.

Davi disse que a vacina não doeu. “Achei muito legal, é legal estar vacinado”, falou. O menino está no segundo ano do ensino fundamental, em uma escola de tempo integral de Piracicaba. Agora, aproveita as férias. Conta que sente “saudades dos amigos”. “Mas estou feliz de estar de férias também, eu gosto”, afirmou.

O caso do garoto xavante é estudado por especialistas, que procuram identificar as razões da perda parcial de seus movimentos. Como há outras crianças da mesma tribo com sintomas similares aos de Davi, cientistas da USP estão conduzindo um estudo genético completo para apontar possíveis causas do problema.

Vacinação no estado

O estado de São Paulo iniciou a vacinação de crianças entre 5 e 11 contra a Covid-19 nesta sexta-feira.

Na primeira etapa da campanha, recomenda-se que sejam priorizadas crianças com comorbidades, deficiências, indígenas e quilombolas. O governo do estado prevê imunizar 850 mil menores nessas condições, entre hoje e 10/2.

Após a etapa inicial, a vacinação deve ser estendida às crianças que não se enquadram nessas condições. Os municípios, no entanto, poderão definir outros cronogramas, como por ordem etária.

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