Centrão articula “jabuti” de R$ 100 bilhões a favor de ex-sócio da OAS

Essa verba sairia do lucro do pré-sal destinado ao Tesouro Nacional e passaria a financiar obras de gasodutos, interesse de Carlos Suarez

atualizado 10/05/2022 9:32

Cigás

O grupo do Centrão está articulando no Congresso Nacional a aprovação de um projeto bilionário de construção de gasodutos pelo Brasil. Isso vem ao encontro dos interesses de Carlos Suarez, ex-sócio-fundador da empreiteira OAS, único autorizado a distribuir gás em oito estados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.

A proposta do conglomerado político é destinar R$ 100 bilhões do lucro do pré-sal, que iriam para o Tesouro Nacional, para pagar as obras. Esse valor é próximo do que o governo tem para investimentos para 2022. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.

A proposta do Brasoduto, nome dado ao projeto, já entrou em debate ao menos 10 vezes, mas dessas tentativas, nenhuma deu certo. Hoje, porém, sob a proteção do presidente Bolsonaro, aliado do Centrão, o grupo político crê que deve ser possível tocar o projeto com votos suficientes. “Centrãoduto”, como foi nomeado. 

O empresário Carlos Suarez se beneficia diretamente. Ele, além das oito distribuidoras de gás no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, tem também quatro autorizações para a construção desses gasodutos. Com isso, só precisa dos recursos que vão custear as obras que irão interligar regiões isoladas aos grandes centros, com clientes em potencial.

O Centrão propõe um “jabuti”, nome dado a emendas desconexas das propostas originais, no Projeto de Lei (PL) 414, que fala sobre a modernização do setor elétrico. Em conversa particular com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o relator deste projeto, Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), combinou um “jabuti surpresa”. Seria uma emenda que surgiria no plenário na hora da votação do PL sem ter passado por apreciação prévia.

Esse projeto é polêmico, por isso, as tratativas correm silenciosamente. A Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace) afirma que esse “Centrãoduto” representa “um ônus elevado para todos os consumidores de energia elétrica, em um desenho ineficiente que cria privilégios para alguns empreendimentos de geração com características muito específicas, em detrimento de um planejamento de contratações baseadas em eficiência e modernização do mercado”.

A associação, que reúne mais de 50 empresas que somam 40% do consumo industrial de energia elétrica e 42% do de gás natural, representa integrantes como Braskem, Gerdau, Nestlé e Votorantim Cimentos.

O Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), que abarca 27 associações do mercado, enviou uma carta crítica que questiona esses jabutis e enfatizando que essas construções subsidiadas pelo Tesouro representam riscos aos PLs do setor elétrico e geram impacto para o consumidor e para os contribuintes brasileiros.

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