Bolsonaro recebe embaixadores para discutir segurança das urnas

Presidente tem falado sobre a reunião com diplomatas desde 7 de julho, quando afirmou que explicaria "como é o sistema eleitoral brasileiro"

atualizado 18/07/2022 20:16

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil. Ele tem cabelos curtos, grisalhos e tem a pele clara -metrópoles Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu, na tarde desta segunda-feira (18/7), no Palácio da Alvorada, diplomatas de cerca de 40 países tratar sobre o sistema eleitoral brasileiro. No encontro, o chefe do Executivo federal voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas.

A Secretaria de Comunicação da Presidência não permitiu a entrada de jornalistas, apenas de emissoras de televisão que concordaram em transmitir a reunião ao vivo.

O encontro durou menos de uma hora. Bolsonaro discursou por cerca de 45 minutos. Estiverem presentes ministros do governo, parlamentares da base governista e militares da alta cúpula das Forças Armadas, como o general da reserva Walter Souza Braga Netto, que deve compor a vaga de vice na chapa de Bolsonaro.

A reunião com estrangeiros contou com a estrutura do governo para ser divulgada. Na ocasião, o chefe do Palácio do Planalto repetiu argumentos já desmentidos por órgãos oficiais e reiterou que as eleições deste ano devem ser “limpas” e “transparentes”.

Antes de agenda com diplomadas, Bolsonaro diz estar com febre e gripe

O atual mandatário da República costuma dizer que teria vencido a eleição de 2018 no primeiro turno e já foi intimado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apresentar provas do que alega.

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Voto impresso

O sistema atual – pelo qual Bolsonaro foi eleito para consecutivos mandatos como deputado federal e para presidente da República, em 2018 – tem urnas eletrônicas sem impressão dos votos e, segundo Bolsonaro, permite fraudes.

Bolsonaro é defensor do voto impresso e em ocasiões passadas já afirmou, em tom de ameaça, que, caso o modelo não fosse implementado no pleito deste ano, seria possível que não houvesse eleição.

A reunião com embaixadores tem sido divulgada pelo presidente desde 7 de julho. Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, ele disse que explicaria aos diplomatas sobre “como é o sistema eleitoral brasileiro”, mostrando documentos das eleições de 2014 e 2018.

“Será um PowerPoint mostrando tudo o que aconteceu nas eleições de 2014, 2018, documentado, bem como essas participações dos nossos ministros do TSE, que são do Supremo, sobre o sistema eleitoral”, declarou na live.

Fachin recusa convite para encontro

O presidente Jair Bolsonaro chegou a convidar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, para a reunião com diplomatas.

Fachin, no entanto, recursou o convite, sob o argumento de que, por presidir a Justiça Eleitoral, deve cumprir com o “dever de imparcialidade”, não podendo comparecer a eventos organizados por candidatos ou pré-candidatos. Bolsonaro é pré-candidato à reeleição ao Planalto.

O convite enviado ao TSE não faz menção ao tema do encontro. Apenas cita que a reunião ocorrerá com “chefes de missão diplomática”.

Veja a resposta de Fachin ao recursar participação no encontro:

“Incumbiu-me o Senhor Presidente do Tribunal Superior Eleitoral de agradecer ao honroso convite, mas, na condição de quem preside o Tribunal que julga a legalidade das ações dos pré-candidatos ou candidatos durante o pleito deste ano, o dever de imparcialidade o impede de comparecer a eventos por eles organizados”, respondeu em ofício Fernanda Jannuzzi, chefe do cerimonial do TSE.

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