Bolsonaro pede para “não correr” com vacina e defende “cura” com cloroquina

Presidente disse que espera divulgação de resultados em revista científica e defende cura com cloroquina, ivermectina e nitazoxanida

atualizado 26/10/2020 10:07

bolsonaro e cloroquinaIgo Estrela/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu que não se deve “correr” para produzir a vacina contra a Covid-19. Durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, nesta segunda-feira (26/10), o chefe do Executivo reforçou ser demorado o processo de produção de um imunizante e citou o processo mais rápido na produção de uma vacina, contra a caxumba, que durou quatro anos.

Como opção, Bolsonaro sugeriu investir na “cura” com hidroxicloroquina, ivermectina ou nitazoxanida.

“O que a gente tem que fazer aqui é não querer correr, não querer atropelar, não querer comprar dessa ou daquela sem nenhuma comprovação ainda. A gente aguarda, para melhor poder falar sobre esse assunto, a publicação disso numa revista científica. Agora, pelo o que tudo indica, todo mundo diz que a vacina que menos demorou até hoje foram quatro anos. Eu não sei por que correr em cima dessa”, disse.

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O presidente tornou a usar o próprio exemplo para defender o uso da hidroxicloroquina para pacientes com o novo coronavírus, mesmo com vários estudos comprovando a ineficiência do medicamento contra a doença – o mais recente com resultados publicados a partir de pesquisa da Universidade da Pensilvânia.

“Eu dou minha opinião pessoal. Não é mais barato nem fácil investir na cura do que na vacina? Ou jogar nas duas, mas também não esquecer a cura. A cura aí… eu, por exemplo, sou um testemunho. Eu tomei a hidroxicloroquina, outros tomaram ivermectina, outros tomaram Anitta, e deu certo. E, pelo o que tudo indica, todo mundo que tratou precocemente com uma dessas três alternativas foi curado”, assegurou.

Judicialização da vacina

Após dizer que não compraria vacina chinesa e pôr em cheque o imunizante devido ao país de origem, Bolsonaro criticou o que chamou de “judicialização” da vacina. Na semana passada, o presidente e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), protagonizaram um embate em torno da Coronavac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

“Mas hoje vou estar com o ministro Pazuello, da Saúde, para poder tratar desse assunto, porque temos uma jornada pela frente onde parece que foi judicializada essa questão, e eu entendo que isso não é questão de Justiça, isso é questão de saúde. Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar vacina, não existe isso daí. Nós queremos é buscar solução para o caso”, afirmou.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, já defendeu que a solução do caso deve passar pela Justiça.

“Agora, podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, sobre essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual, como também, digamos assim, os pré-requisitos para se adotar uma vacina”, disse Fux na última sexta-feira (23/10).

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