Líder do PSL na Câmara ataca Bolsonaro: “Rasga a Constituição”

Delegado Waldir criticou duramente o presidente e os filhos “01” e “03”. Sobre Flávio Bolsonaro: “Brasil não pode ter bandido de estimação”

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 16/10/2019 22:33

Líder do PSL na Câmara, o deputado federal Delegado Waldir (GO) jogou mais fogo na crise do partido, na noite desta quarta-feira (16/10/2019), ao cobrar investigações “igualitárias” a membros da legenda que estão sob suspeita. Ao exigir do presidente Jair Bolsonaro (PSL) um pedido de desculpas ao mandatário da sigla, o deputado federal Luciano Bivar, “um senhor de 79 anos de reputação ilibada que foi humilhado publicamente”, Waldir atacou o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que enfrenta uma denúncia de realização de “rachadinha” entre seus servidores comissionados quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

“Não defendemos suspender investigação nenhuma, nem no Bivar, nem no líder do governo no Senado [Fernando Bezerra Coelho, do MDB]. O Brasil não pode ter nenhum bandido de estimação”, disparou o parlamentar goiano, na porta da liderança do PSL. Ao ser questionado sobre quem era seu alvo, não titubeou: “Eu diria o filho do presidente que é presidente do PSL no Rio de Janeiro [o senador Flávio Bolsonaro]. Seria importante continuar a investigação, mas infelizmente temos uma decisão da Justiça que impede a continuação. Houve também a denúncia de rachadinha contra um deputado estadual do PSL em São Paulo. A gente fica preocupado…”, provocou.

Waldir também acusou Bolsonaro de interferir no funcionamento do Parlamento. “O presidente da República rasga a Constituição quando faz isso. Ele está ligando para cada parlamentar, para pedir voto para o filho Eduardo, para ele assumir aqui a liderança; e isso depois de ele, em vários momentos, dizer que não iria interferir nessas decisões internas do partido, de escolha de líder. A oposição deve até estar feliz, porque assim ele não vai para Washington”, completou, referindo-se à possível indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Bancada em crise
O líder do PSL na Câmara também disse não conseguir ver uma solução para a crise do partido. “Está difícil, hoje o partido é água e óleo, não se mistura”, afirmou, adiantando que deve se encontrar ainda na noite desta quarta com o presidente da legenda, Luciano Bivar, para debater o que fazer, incluindo punições e expulsões de filiados e a retirada dos filhos de Bolsonaro da presidência do partido no Rio e em São Paulo. “Algo haverá de ser feito, mas vamos fazer esse debate, não posso falar agora”, disse. “Bivar é uma pessoa idosa, depois dessa humilhação ele passou dois dias sob o efeito de medicação. Agora as coisas vão ficar mais claras”, completou.

Waldir afirmou que o partido não vai abandonar o governo nas votações, mas não garante adesão automática. “O grupo que está com Bivar é favorável, por exemplo, à CPI da Lava Toga. Não sei se o governo é. Sei que eu não sou empregado do governo, não sou empregado do presidente da República. Sou fiel ao meu eleitor.”

Depois de todos os ataques, Waldir negou se sentir traído por Bolsonaro e ainda o chamou de “pessoa espetacular”. “Mas faltou humildade nesse momento”, concluiu.

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