Ex-candidata a vice-presidente da República pelo PDT, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) tem se mantido distante da postura mais beligerante exposta pelo seu companheiro de chapa, Ciro Gomes (PDT-CE).

Depois das eleições, os dois pouco se falaram. Ciro continuou investindo no ataque ao PT e a senadora, que chegou a ser ministra do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, manteve-se mais discreta.

Em café com jornalistas nesta quinta-feira (14/3), ela preferiu não julgar o comportamento do cearense, mas marcou sua identidade política distinta do ex-cabeça da chapa. “Além de ter o direito de dizer o que bem entende, cada um tem um estilo. Eu o respeito. Prefiro não comentar, mas não tenho a aversão que ele tem ao PT”, disse a senadora.

“Passei muitos anos da minha vida com um preconceito enorme contra o setor agropecuário. Tinha dia que eu chorava de tristeza, chorava mesmo de revolta de ver o quanto as pessoas generalizavam a desgraça do setor como se a gente fosse tudo bandido”, afirmou a ruralista. “Então, eu penso que gente ruim tem em todo lugar, mas a maioria das pessoas em todos os lugares, são boas”, completou.

Ciro Gomes pode ser a aposta do PDT para as eleições presidenciais em 2022. O pedetista obteve 12% dos votos no primeiro turno das eleições, ficando em terceiro lugar. Para a senadora, ele é o melhor nome para o partido no próximo pleito.

“O PDT tem o projeto de ter um candidato à Presidência da República e o Ciro é a pessoa mais disponível. Já passou pelas urnas, teve uma boa votação. É uma pessoa inteligente, uma pessoa preparada do ponto de vista técnico. Eu acho que ele tem tudo para ser o candidato e acho que ele tem vontade”, destacou.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O então presidenciável do PDT, Ciro Gomes, e sua vice, Kátia Abreu

 

“Oposição a eles mesmos”
A senadora tem adotado um tom crítico em relação ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), mas diz ter disposição de discutir e votar a reforma da Previdência no Senado, com as alterações no texto que achar necessárias.

Ao falar sobre o comportamento do governo nas redes sociais, Kátia Abreu foi enfática: Parece que não tem o que fazer. Nós temos uma tarefa árdua”, disse a senadora. “O que eu quero dizer com isso é que a gente não pode perder nem um segundo com estupidez”, enfatizou.

“Eles estão encantados, e com razão, com o grande número de seguidores nas redes sociais. Pessoas muito radicais, muito veementes. Ninguém quer perder fã”, observou. Para ela, o governo ainda não desceu do palanque para governar e que isso pode ser prejudicial ao país.

“Acho que há falta de estrutura partidária, acho que ainda não descolaram da campanha. Ainda estão emocionados com a companha”, criticou. “Eles (o governo) estão fazendo oposição a eles mesmo”, disse a senadora.

Centrão
Diante da desorganização política do governo, Kátia Abreu ainda garantiu que, ao não conseguir assumir um protagonismo nos diálogos com o Congresso Nacional, Bolsonaro e seus ministros abriram espaço para os outros partidos.

“O governo não conseguiu manter sua base e está criando um grupo independente para pegar esse espaço. Esse grupo é o Centrão”, afirmou. “Se achavam que o problema seria o PT, se enganaram”, atacou. “Eles estão oferecendo a pauta para a imprensa. Não está precisando de oposição”, completou a pedetista.

Previdência
A disposição em votar a reforma da Previdência, na avaliação da senadora, existe tanto na Câmara, quando no Senado. Mas, segundo ela, igualmente existe a disposição em mudar e discutir de forma mais ampla o texto.

Há disposição em aprovar a reforma da Previdência, não a reforma do Bolsonaro. Do jeito que está, não tem 100 votos na Câmara. No Senado, 10 votos"
Kátia Abreu, senadora (PDT-TO)

Ela criticou a formação da comissão no Senado para acompanhar a tramitação do texto na Câmara. Segundo a senadora, essa comissão não pode substituir a fase de discussão no Senado. “Se o governo quisesse teria mandato o texto três meses antes. Vou discutir, mas só quando chegar aqui”, disse. “Se vier aberração de lá (da Câmara), nós vamos votar aqui”, enfatizou a parlamentar.

Ela também criticou a escolha do senador Tasso Jereissati para relatar a reforma na comissão paralela. “O relator precisa ter dimensão humana”, apontou. Para a senadora, um relator de uma proposta dessa tem que noção da realidade dos mais pobres. “Eu sou de direita, o que não sou é reacionária”.

Mesmo diante da desarticulação política do presidente, Kátia Abreu o definiu como um “homem de sorte” na tarefa de aprovar a reforma. “Ele é um homem de sorte por que nós queremos muito aprovar esta reforma. Acredito que, na oposição de hoje, que foi governo e viveu o dia a dia e sabe do que eu estou falando, só tem uns 10 que dizem que não querem votar contra de qualquer jeito”, apostou.

Ela também elogiou o compromisso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Acho que a outra sorte dele é o Rodrigo Maia, que acredita piamente na reforma e é uma pessoa responsável com o país”, destacou.