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Do ponto de vista do governo, a indicação do juiz Sérgio Moro para o futuro superministério da Justiça representa uma boa notícia. O magistrado responsável pela Operação Lava Jato chega à Esplanada com experiência no combate ao crime organizado e à corrupção.

Ao escolhê-lo, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), reforça a equipe com um nome de peso no cenário jurídico e político nacional nos últimos anos. Mesmo na primeira instância, Moro tomou decisões que mudaram a agenda dos tribunais do país – até da Suprema Corte.

Por essas razões, a presença do juiz de Curitiba na equipe do futuro governo mostra-se adequada. Importante lembrar que o combate à corrupção estava entre as bandeiras da campanha presidencial de Bolsonaro.

Para o ambiente político do Brasil, no entanto, a nomeação de Moro revela-se temerária, pois fornece elementos para acirrar a polarização entre o futuro governo e a oposição. A troca da magistratura pelo Executivo federal renova e dá sentido para o discurso de perseguição sustentado pelo PT desde o início da Lava Jato.

Afinal, ele proferiu sentenças que levaram ao afastamento da disputa eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas sobre intenção de voto até ter o registro de candidatura negado pelo Tribunal Superior Eleitoral e ser substituído por Fernando Haddad. Na prática, o maior beneficiário dessas decisões de Moro foi Bolsonaro, seu futuro chefe.

Também para a Justiça, a aceitação do convite feito pelo presidente eleito deixa algumas dúvidas. A partir de agora, qualquer manifestação pública ou sentença proferida por um magistrado pode ser interpretada como uma sinalização política para o futuro.

Pela gravidade das crises brasileiras, parece salutar que haja nesse momento definição clara dos papeis das autoridades e das instituições, particularmente dos Três Poderes. Nessas circunstâncias, a nomeação de Moro, além de confundir a população, ajuda a prorrogar o clima de campanha no país.