Diretor da PF afasta chefe de divisão que investigou Ricardo Salles

Rubens Lopes da Silva fez parte da equipe de investigação de crimes ambientais cometidos pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales

atualizado 12/07/2021 19:32

Andre Borges/Esp. Metrópoles

O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu tirar do cargo o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Dmaph), Rubens Lopes da Silva. Ele fez parte da equipe de investigação de crimes ambientais cometidos pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A informação é da coluna da Bela Megale, do O Globo.

Na chefia da divisão, Lopes deu sustentação aos inquéritos contra Salles. Foi ele quem fez o contato com os investigadores americanos que constataram problemas de documentação no desembarque da madeira contrabandeada em um porto dos Estados Unidos. Lopes é um dos mais experientes delegados da área de repressão aos crimes ambientais e fez parte da primeira leva de chefes de delegacias especializadas nesse tipo de delito.

Antes, Maiurino já havia exonerado os delegados responsáveis pelos dois inquéritos que acusam Salles de favorecer madeireiras clandestinas que atuam na Amazônia.

Mudanças

Além das exonerações, a direção-geral da PF vai tirar a divisão de meio ambiente da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária, que investiga crimes financeiros, e subordiná-la à área de repressão a crimes contra direitos humanos e cidadania, que lida mais com as questões indígenas na Amazônia.

A direção da Polícia Federal afirma que a alteração tem como objetivo aumentar a eficiência das investigações. Segundo a nota, a “mudança da Divisão de Meio Ambiente para a Coordenação de Repressão a Crimes contra os Direito Humanos, que cuida dos crimes contra as comunidades indígenas, conflitos agrários e trabalhos forçados visa evitar a sobreposição de esforços e a promoção de uma maior sinergia entre áreas da PF que cuidam do mesmo tema, uma vez que grande parte dos crimes ambientais são cometidos em Terras Indígenas, da mesma forma que áreas degradadas são objeto de conflitos agrários, sem falar no fato da maioria dos trabalhadores forçados serem resgatados em garimpos ilegais e em terras ocupadas irregularmente (objeto de grilagem)”.

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