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(M)dadosBrasil

Desde 2003, só 86 servidores foram punidos por administrar empresa privada

As punições dos órgãos públicos variam desde a demissão até a extinção de aposentadoria

Lucas Marchesini04/08/2020 05:10, atualizado 03/08/2020 20:05
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Thiago S. Araújo/Especial para o Metrópoles
Fotografia colorida do Ministério da Economia

Mesmo com mais de 54 mil servidores federais listados como sócios administradores de empresas privadas, apenas 86 foram punidos por isso desde 2003. Segundo a lei que rege o serviço público, funcionários concursados não podem administrar ou gerir uma empresa privada. Quem desobedece o dispositivo legal pode ser demitido.

As informações estão disponíveis no Portal da Transparência e elas foram analisadas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles.

Caso queira abrir uma empresa, o servidor deve primeiro consultar o departamento de Recursos Humanos do lugar onde trabalha para que seja apurado se há conflito de interesse. A partir daí, uma autorização para abrir o negócio pode ser concedida. Mesmo com o sinal verdade, ao funcionário não permitido administrar ou gerenciar o negócio.

“A vedação é que o servidor efetivamente administre a empresa ou comércio. Ele pode ser acionista. Mas não pode exercer a gerência ou administração da empresa. O fato de o servidor constar no contrato como administrador ou gerente nem sempre significa que ele realmente administre a empresa, o que é terminantemente vedado pela lei”, explicou, em nota o Ministério da Economia.

Das 86 pessoas punidas por desobedecer essa determinação: 63 foram demitidas; 18 tiveram a sua aposentadoria caçada; e cinco foram destituídas. Na separação por ano, 2017 lidera com 14 casos, seguido por 2015 (12 ocorrências) e 2013 (10 processos). O gráfico a seguir traz a quantidade anual desde 2003.

Dois órgãos públicos se destacam quando o assunto é a punição de servidores que possuem empresas: a Receita Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). O primeiro mencionado teve 23 funcionários investigados por desobedecerem a proibição e o segundo, 12.

Denúncia do Metrópoles

A desobediência à lei que veda a participação de funcionário na administração de uma empresa privada não é exclusividade dos servidores civis. Há duas semanas, o Metrópoles denunciou que entre os militares, 5,4 mil fazem o mesmo. Em alguns casos, os negócios desses funcionários vendem bens e serviços para as próprias Forças Armadas.

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