Zezé perde especial, Flávio ganha palanque: o padrão bolsonarista

Flávio aplaudiu o “salto de fé” do aliado no abismo, mas preferiu ficar na borda — ao vivo, com ar condicionado e audiência garantida.

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Uma coisa é preciso admitir: o clã Bolsonaro não sai do padrão, doa a quem doer. Enquanto Zezé Di Camargo, cantor assumidamente bolsonarista, rifa a própria trajetória em nome de uma guerra ideológica, o senador Flávio Bolsonaro elogia o “sacrifício” do aliado, mas o deixa a ver navios.

Sim, o autoproclamado candidato à Presidência não pensou duas vezes antes de correr para a vitrine da televisão aberta.

A polêmica em torno da presença institucional de Lula e outras autoridades no lançamento do SBT News serviu para expor, mais uma vez, uma das táticas mais cruéis do bolsonarismo: o incentivo ao radicalismo alheio enquanto a família mantém o mais puro pragmatismo político.

O sertanejo agiu como o militante fiel: colocou o contrato em risco, pediu o cancelamento do seu especial de Natal e partiu para o tudo ou nada contra as filhas de Silvio Santos. Zezé aceitou o prejuízo em nome da “moral”.

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Tarcísio de Freitas
Viviane Barci de Moraes, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e o presidente Lula, em evento da emissora SBT, em São Paulo
Lula discursa em evento do SBT, em São Paulo
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Lula discursa em evento do SBT, em São Paulo

Foto: SBT
Tarcísio de Freitas
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Tarcísio de Freitas

Reprodução/SBT
Viviane Barci de Moraes, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e o presidente Lula, em evento da emissora SBT, em São Paulo
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Viviane Barci de Moraes, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e o presidente Lula, em evento da emissora SBT, em São Paulo

Reprodução/SBT

Flávio Bolsonaro, por sua vez, entrou em cena apenas para capitalizar. Em vídeo, classificou o evento como um “show de horrores”, disse ter sido “protegido por Deus” ao não poder comparecer e — aqui reside a crueldade — elogiou efusivamente a postura de Zezé, chamando-o de “referência”. Ou seja: aplaudiu o salto do seguidor no abismo, mas se recusou a pular junto.

A “proteção divina” e a indignação do senador duraram exatamente até o telefone tocar com um convite do apresentador Ratinho. Enquanto Zezé amarga o desgaste e o boicote que ele mesmo insuflou, Flávio limpou a agenda para aparecer, sorridente, na mesma emissora que acabara de atacar.

Para o senador, o boicote vale para o soldado raso, não para o general. Ao aceitar o espaço no horário nobre sob o pretexto de “homenagem”, Flávio terceiriza o sacrifício para os apoiadores, que arriscam carreiras e reputações, enquanto ele garante o microfone, a visibilidade e a sobrevivência política.

Zezé ficou com o prejuízo e seus fãs, sem o especial de Natal. Flávio ficou com a audiência. Surpresa? Zero.

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