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Onde está o celular de Bebbiano, ministro que Bolsonaro demitiu

O fantasma que poderá se materializar a qualquer momento

atualizado 28/06/2022 8:09

Reprodução

Agentes do FBI armados com um mandado de busca apreenderam o telefone de John Eastman, advogado que aconselhou o ex-presidente Donald Trump sobre os principais esforços a serem feitos para anular os resultados das eleições de 2020.

Eastman foi abordado pelos agentes à saída de um restaurante no estado do Novo México, na última quarta-feira. O mandado dizia que seu iPhone seria levado ao Departamento de Justiça ou ao laboratório forense do inspetor-geral no norte da Virgínia.

A apreensão do telefone de Eastman é a mais recente evidência de que o Departamento de Justiça intensifica sua extensa investigação criminal sobre tudo o que Trump fez para permanecer no poder depois de derrotado por Joe Biden.

Aqui, a oposição ao governo pedirá ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério de Minas e Energia a guarda do celular do ex-presidente da Petrobras, o economista Roberto Castelo Branco, e a preservação das mensagens trocadas entre ele e Bolsonaro.

No último fim dee semana, em conversa por telefone com Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil, Castelo Branco disse que o celular que usava como presidente da Petrobras foi devolvido à empresa com sua memória intacta:

“Já ouvi de seu presidente psicopata que nos vagões dos trens da Vale [do Rio Doce], dentro da carga de minério de ferro vendido para os chineses, ia um monte de ouro”.

Falar em apreender celular é algo que causa arrepios em Bolsonaro e nos que o cercam. Uma vez, em maio de 2020, quase desatou uma crise institucional. A oposição pediu a apreensão dos celulares de Bolsonaro, do seu filho Carlos e do ex-juiz Sérgio Moro.

Investigava-se, à época, a denúncia de Moro de que Bolsonaro tentou intervir na Polícia Federal. O caso estava nas mãos do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que pediu à Procuradoria- Geral da República que se pronunciasse a respeito.

A mando de Bolsonaro, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, soltou uma nota onde disse que uma decisão favorável à apreensão do celular do presidente teria “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”:

“Caso se efetivasse, seria uma afronta à autoridade máxima do poder Executivo […] e uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes”.

O ministro da Defesa, general Fernando de Azevedo e Silva, concordou com a nota de Heleno “por se tratar do celular do presidente que é um assunto de segurança institucional”. Entregar o celular, segundo ele, seria “uma afronta à segurança nacional”.

A Procuradoria-Geral da República deu parecer contrário à apreensão dos celulares. O caso foi arquivado. Mas tem outro celular, esse desaparecido, que se for encontrado antes das eleições de outubro poderá deixar Bolsonaro em maus lençóis.

Foi de Gustavo Bebianno, advogado de Bolsonaro durante a campanha de 2018, e depois ministro por 30 dias da Secretaria-Geral da Presidência da República. Bebianno foi demitido porque Carlos Bolsonaro, que gostava dele, de repente deixou de gostar.

Bebianno morreu de infarto um ano mais tarde. Ele dizia ter guardado “um material, inclusive fora do Brasil”, para caso alguma coisa lhe acontecesse. Um amigo de Bebianno, que teve acesso ao conteúdo, diz que havia ali “coisas morais muito pesadas”.

No final de dezembro de 2020, a viúva de Bebianno contou em depoimento à Polícia Federal que destruiu o celular do marido e que não consultou sua memória. Ninguém acreditou.

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