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O primeiro grande comício de Lula candidato foi em Buenos Aires

“Ele vai voltar”, gritou a multidão reunida pelo governo argentino para celebrar na Praça de Maio o Dia da Democracia

atualizado 11/12/2021 5:14

Lula na Argentina Ricardo Stuckert

Foi em Buenos Aires o primeiro grande comício de Lula candidato a presidente do Brasil. Convidado para celebrar o Dia da Democracia restabelecida no país há 38 anos, Lula falou durante 12 minutos para milhares de pessoas que ocuparam a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino.

Com ele estavam o presidente Alberto Fernández, a vice-presidente Cristina Kirchner e o ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica. Lula disse que “o melhor momento da democracia na América Latina” foi quando ele governou o Brasil, Evo Morales a Bolívia, Hugo Chávez a Venezuela e Michelle Bachelet o Chile.

Visivelmente emocionado, agradeceu a Fernández e a Mujica por tê-lo visitado quando estava preso em Curitiba. Defendeu o fortalecimento do Mercosul e assegurou que “em qualquer situação, este senhor de 76 anos, mas que tem energia de 20, estará do lado” de Fernández e do povo argentino.

Ouviu de Fernández que ele era seu amigo “perseguido e condenado injustamente”, e que “a democracia está hoje assediada por posições extremas, intolerantes, xenófobas”; de Mujica que “Lula vai ser de novo o presidente do Brasil”, e de Cristina que ela pede “a Deus e a Virgem para que Lula volte a ser presidente”.

A certa altura do discurso da vice-presidente, a multidão começou a gritar “Lula vai voltar”, e Cristina comentou: “Olha Lula, quando dizem isso aqui, em geral não erram”. Horas antes, Lula foi um dos homenageados no Prêmio Azucena Villaflor, nome de uma das mães da Praça de Maio assassinada durante a ditadura militar.

Na noite da quinta-feira e ao longo do dia de ontem, Lula e Cristina haviam discutido a necessidade de reconstruir a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), blocos do quais o Brasil se retirou desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente.

Porta-vozes do governo argentino admitem que o tratamento dado a Lula em sua viagem a Buenos Aires deverá provocar reações do governo brasileiro, mas que isso não os preocupa tanto assim. As relações entre os dois países estão de mornas para frias depois que Fernández, ainda na condição de candidato, visitou Lula na prisão.

Em novembro último, quando o ex-presidente brasileiro viajou à Europa e ali foi recebido na França e na Espanha com honras de chefe de Estado, Bolsonaro reagiu de maneira ríspida. A respeito de Emmanuel Macron, o presidente francês, Bolsonaro afirmou: “Ele está muito bem acompanhado de Lula, e Lula dele”.

O lançamento oficial da candidatura de Lula a presidente deverá acontecer em março próximo. Antes disso ou imediatamente depois, ele viajará aos Estados Unidos e, possivelmente, à China. Bolsonaro ainda terá muito com o que se aborrecer.