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O golpe pode fracassar, mas a intenção de aplicá-lo é real

Se perder, é líquido e certo que Bolsonaro não aceitará o resultado das eleições

atualizado 01/05/2022 2:40

Presidente Jair Bolsonaro fala com à imprensa após o encontro com presidente do STF Luiz Fux 1 Igo Estrela/Metrópoles

Se haverá ou não tentativa de invasão aos prédios do Supremo Tribunal Federal, Tribunal Superior Eleitoral e Congresso, e manifestações de rua planejadas de véspera por milicianos armados, não se sabe, mas é possível.

O que é dado como certo entre os que conhecem bem as intenções de Bolsonaro é que ele não aceitará os resultados das eleições de outubro caso as perca. E não importa o tamanho da diferença de votos entre ele e quem vencê-lo.

Daí a sua determinação em ter como candidato a vice em sua chapa o general da reserva Walter Braga Neto, não só um militar da linha dura como sempre foi o atual vice-presidente Hamilton Mourão, mas um cão fiel a Bolsonaro.

Mourão não foi tão fiel assim. Fez questão de demarcar-se das posições mais extremas de Bolsonaro. Aproximou-se de uma direita que se pretende civilizada, e, como tal, não aposta no golpe. Braga Neto não tem e nem terá essa preocupação.

O general será o interlocutor de Bolsonaro com os setores mais radicais das Forças Armadas que reagem a uma possível volta da esquerda ao poder. Um vice de origem política, como quer o Centrão, deixaria Bolsonaro estrebuchando sozinho.

De resto, se Bolsonaro se reeleger, Braga Neto será o antídoto contra um eventual impeachment e as ambições do Centrão de mandar mais e mais no governo. Derrubar Bolsonaro para quê? Para que um general de maus bofes assuma seu lugar?

Hoje, Bolsonaro precisa desesperadamente do Centrão para governar e se reeleger. Em um segundo governo, menos. Com um general de vice e golpista tanto quanto ele, menos ainda. A turma do Centrão sabe que pode ficar desamparada.

É justamente por saber que alguns dos seus líderes começam a mandar recados para Lula de que poderão mais adiante se entender com ele; mais tarde se ficar claro que Bolsonaro será derrotado no primeiro ou no segundo turno.

Bolsonaro não pretende sair de cena se perder. E mesmo que depois acabe obrigado a devolver as chaves do Palácio da Alvorada, fará muito barulho, dizendo que lhe roubaram as eleições. Já foi capaz de dizer isso até das eleições de 2018.

O golpe a ser deflagrado na noite de 2 de outubro (primeiro turno) ou na noite de 30 de outubro (segundo turno) pode não ser bem-sucedido, mas a intenção de aplicá-lo é real e deve ser levada em conta por todos que prezam a democracia.

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