Fux jogou seus colegas às feras da direita e às sanções de Trump

Do calçadão de Ipanema para o de Copacabana

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
STF MInistro Luiz Fux durante sessão no Supremo Tribunal Federal em julgamento sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal STF - Metrópoles
1 de 1 STF MInistro Luiz Fux durante sessão no Supremo Tribunal Federal em julgamento sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal STF - Metrópoles - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Se Luiz Fux, e pelo menos mais dois ministros do Supremo Tribunal Federal (André Mendonça e Nunes Marques) podem ignorar as provas de que Bolsonaro tentou dar um golpe para derrubar a democracia, por que não tantos outros brasileiros desinformados ou adorados de pneus? Os malucos.

Digo a favor de Fux, um ministro capaz de matar no peito causas bizarras e de agradecer de joelhos a quem o ajudou a conquistar a toga, que ele enxergou provas, sim, para condenar por um único crime o delator da trama golpista (Mauro Cid) e o golpista mais desprezado entre seus companheiros de farda (Braga Netto).

Não deixou de ser estranho. Se o Supremo não é o fórum adequado para julgar essa gente, como ele disse, Fux não deveria ter votado para ser coerente com seus princípios. Pelo mesmo motivo, não deveria ter aceitado a denúncia do Procurador-Geral da República contra os golpistas nem participado do julgamento.

Ganhará uma viagem com tudo pago à Disney quem descobrir a verdadeira razão de Fux ter procedido assim, mandando às favas todos os escrúpulos, como fizeram, em dezembro de 1968, os subscritores do ato mais infame da ditadura militar de 64, o AI-5. Foi quando a ditadura tirou a máscara e se assumiu como tal.

Pedro Aleixo, então vice-presidente, que apoiou o golpe, recusou-se a subscrever o AI-5. Por causa disso, com a morte do presidente Costa Silva, foi impedido pelos militares de ocupar o seu lugar. O general Garrastazu Médici sucedeu a Costa e Silva. O mineiro Pedro Aleixo abandonou a política.

Quer queira, quer não, Fux será obrigado a abandonar o Supremo em abril de 2028, quando completará 75 anos. É o que manda a lei. Até lá, seus pares o tratarão com o respeito devido a qualquer um deles, mas não mais com afeto e camaradagem. Fux jogou-os às feras da extrema-direita e às sanções de Trump, preservando-se.

Dizem nas vizinhanças de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que Fux seria um baita candidato se decidisse entrar na política. Não creio que o fará. O mercado de pareceres jurídicos é mais atraente e não depende do incerto voto popular. Fux é pai amoroso de filhos advogados que ainda se escoram na sua influência.

De resto, Fux gosta de passear no calçadão de Ipanema e de ser reconhecido. A essa altura, imagino que o calçadão de Copacabana, reduto de bolsonaristas, seria mais seguro para ele. Quanto aos brasileiros desinformados e os adoradores de pneus, há tempo para que se informem e mudem de opinião. Tomara.

 

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