Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Ou o Brasil é só uma paisagem?

atualizado

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Arte/Metrópoles
Lula e Trump, montagem -- Metrópoles
1 de 1 Lula e Trump, montagem -- Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

Meu pai chorava com facilidade e por qualquer motivo. Era da natureza dele, químico, pianista e boêmio. Chorava quando recebia um carinho. Chorava quando ouvia Isaurinha Garcia cantando.

Para seu Gilvan, pelo Sport, tudo – até faltar ao nascimento de um filho para não perder um jogo. Ainda bem que ele não viveu para ver o Sport liderar o Brasileirão de trás para frente.

Em matéria de choro, puxei a ele.  Chorei nas três vezes que assisti com meus filhos ao filme E.T. – O Extraterrestre. Como não chorar quando o ET se despede de Elliott e lhe aponta o dedo luminoso?

Por isso, confesso: li e reli a carta aberta dirigida pelo senador Flávio Bolsonaro ao seu pai e postada por ele nas redes sociais, e não derramei uma lágrima. Transcrevo-a para sua avaliação:

“Fica firme, pai, não vão nos calar!

A proposital humilhação deixará cicatrizes nas nossas almas, mas servirão de motivação para continuarmos lutando pelo nosso Brasil livre de déspotas.

Proibir o pai de falar com o próprio filho é o maior símbolo do ódio que tomou conta de Alexandre de Moraes para tomar medidas totalmente desnecessárias e covardes.

Típico de uma inquisição, que já tem a sentença final pronta antes mesmo de começar. Em que a capa do processo é a principal ‘prova’.

O ardil é tanto, que faz exatamente no início do recesso parlamentar, quando Brasília está vazia. Mas seu cálculo certamente esqueceu de levar em conta que hoje, 18/Jul, é o Mandela Day. Dia em que o mundo celebra o símbolo de resistência e luta pela liberdade!

Não é uma coincidência apenas!

Até os nossos adversários sabem da sua inocência, da sua honestidade.

E todos nós sabemos que você não merecia estar passando por isso.

Deus vai te honrar, pai!

O mundo dá volta rápido e o povo fica ao lado de quem é injustamente perseguido, como você está sendo, implacavelmente, há anos.

Vai sair ainda maior e mais forte de tudo isso, para liderar o resgate do nosso Brasil!”

Não é uma carta, é um manifesto, uma peça de propaganda. Não foi escrita com o propósito de confortar o pai algemado a uma tornozeleira, mas de despertar a ira dos seus seguidores fanáticos.

Bolsonaro é processado pelos crimes que cometeu. Bolsonaro está quase preso, porque seu filho Eduardo, a mando dele, conspira nos Estados Unidos contra os interesses do seu próprio país.

Eduardo comemora a decisão do governo norte-americano de sancionar o Brasil. Porque não mais se trata de tarifaço, mas de intervenção violenta nos assuntos internos de outro país.

Tarifaço se negocia, por mais absurdo que ele seja. Intervenção, mesmo que por meio de palavras, é um fato consumado. Ou se imagina que amanhã Trump poderá pedir desculpas?

Trump dobrou a aposta ao impor restrições a ministros do Supremo Tribunal Federal, agora proibidos de entrar nos Estados Unidos. Nos próximos dias, triplicará a aposta.

O agente laranja quer impedir que Lula governe e se reeleja. Bolsonaro não lhe importa. Importa a Trump que o sucessor de Lula, seja quem for, vista o boné do “Make America Great Again”.

O dramaturgo Nelson Rodrigues dizia que “o Brasil não é uma pátria, não é uma nação, não é um povo, mas uma paisagem”. Já passa da hora de desmenti-lo. Ou a hora pode ser esta.

 

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