Flávio Bolsonaro pede passagem, Lula acende o alerta
Com empate técnico no segundo turno e rejeição no teto, o governo descobre que o “adversário ideal” pode ser o seu maior pesadelo.
atualizado
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O resultado da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) caiu como uma ducha de água fria no Palácio do Planalto e como um foguete no gabinete de Flávio Bolsonaro.
Pela primeira vez, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate numérico num eventual segundo turno: 41% a 41%.
O que era uma distância confortável em dezembro derreteu em apenas três meses. Enquanto o petista perdeu cinco pontos, o senador ganhou outros cinco, numa gangorra que acende a luz vermelha para o governo.
Lula errou e, se sim, onde? Ou melhor, o que o Flávio fez de tão certo?
A verdade é que estamos assistindo ao fortalecimento de uma polarização que nunca deixou de existir. Aquela história de “terceira via” continua sendo o que sempre foi: uma fantasia.
No Brasil, desde a redemocratização, o jogo acaba sempre em “Fla-Flu”. E quem achava que a “direita civilizada” – aquela não radical – jamais abraçaria um Bolsonaro de novo, está quebrando a cara.
Por falta de opção e por puro desprezo ao PT, esses moderados e a turma da Faria Lima que olhava para Flávio com o nariz torcido, começou a tirar a máscara.
O Tarcísio de Freitas, que era o queridinho, não decolou como se esperava, e os outros nomes — Zema, Ratinho Jr., Caiado — continuam sendo promessas de província. Sobrou o Flávio. E a direita, pragmática como ela só, está aderindo ao que tem para hoje para tentar derrotar o que ela mais detesta.
Lula tem até junho para mostrar serviço e recuperar a sintonia com o eleitor.
Chegar à véspera da eleição com aprovação abaixo dos 50% é pedir para ser derrotado. Do outro lado, o PT parece que caiu na própria armadilha: deixou o Flávio crescer para polarizar com ele, achando que seria o adversário mais fácil de bater, repetindo a estratégia de 2022. O problema é que o “adversário fácil” agora empatou e a rejeição de ambos está no teto: 56% para Lula e 55% para Flávio.
No “nem-nem”, o jogo está aberto.
O governo que abra o olho, porque o imprevisto mora ao lado e o “filhinho” já está abrindo passagem.


