metropoles.com

Teimosia de não esquecer (por Mirian Guaraciaba)

O filme de Walter Salles é lembrança vívida para quem sofreu na própria pele

atualizado

Compartilhar notícia

Reprodução
Imagem colorida do filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida do filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles - Metrópoles - Foto: Reprodução

Gina assistiu duas vezes “Ainda estou aqui”, e a psicóloga carioca de 75 anos, entrou em profunda tristeza, teve momentos de ansiedade. Chorou a prisão traiçoeira e o desaparecimento de Rubens Paiva. Mais, a prisão covarde de Eunice Paiva, e sua luta vida afora em busca do corpo do marido.

Como milhares, Gina foi presa pela ditadura.

Nunca se soube exatamente quantos brasileiros sofreram com a repressão. Ofício enviado a Roma pelo então embaixador da Itália no Brasil, em julho de 1964, falava em 20 mil presos nos primeiros dias pós golpe, revelou documento obtido pelo Intercept.

A Comissão da Verdade menciona em seu documento final, capítulo 3, parágrafo 67, relatório do governo americano que falava em cinco mil presos.  Milhares. Mortos e desaparecidos: 434 brasileiros, diz a Comissão da Verdade.

No curso de psicologia da Gama Filho, universidade criada em 1939 – fechada pelo MEC em 2014 – Gina atuava na clandestinidade, União da Juventude Patriótica, dissidência da ALN. Foi presa quando abria a porta de sua casa, um sobrado de 6 quartos na rua Uruguai, Tijuca.

No carro camuflado, estava uma colega de classe (viria a saber depois que a estudante levara os milicos até ela). Sim, Gina foi presa sob as vistas de sua alcaguete. No momento da prisão, perguntaram se queria avisar a mãe. Ela negou. “Deixem que minha mãe durma hoje em paz”.

A colega infiltrada pelas forças de exceção,  circulou pelo quartel onde estavam os presos políticos. Gina vestia o uniforme da cadeia. Ela, jaleco branco sobre o vestido.

Foram semanas de horror. Isolada numa cela, ouvia dia e noite gritos desesperados dos presos. Dia e noite. Uma das pessoas torturadas era uma freira. Foi o que salvou Gina. Chefes da Igreja Católica se mobilizaram e conseguiram uma visita ao presídio. Libertaram a freira. Outros foram soltos. Gina inclusive.

Gina nunca deixou a militância. Entre seus amigos está Cecília Coimbra, psicóloga, fundadora do grupo Tortura Nunca Mais. Cecília foi presa e torturada. Lembranças trágicas, mas Cecília prega “a teimosia de não esquecer”. Aos 84 anos, não se aquieta: em 2022, lançou o livro “Fragmentos de memórias malditas”. Há três semanas, na TV247, falou de sua história de luta contra a ditadura. “Para sempre lembrar”.

 

———-

Peixe morre pela boca

Em entrevista à Folha de SPaulo, nessa segunda, o ex-presidente confessou que “não esperava” a derrota, e tratou de estado de sítio ou de defesa, e intervenção, com “as pessoas”. Bolsonaro e seu bando devem ser condenados pelo STF. Se saírem ilesos do julgamento sobre tentativa de golpe de estado e ameaças à vida de Lula, Alckmin e Xandão, que mais esperar da Justiça?

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?