Rachaduras numa política em clima de competição (por Leonardo Barreto)
Lula continua tendo dificuldade de reunir aliados
atualizado
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Dentro de um contexto de disputa acirrada pela reeleição, Lula continua tendo dificuldade de reunir aliados – na verdade, erros recentes contribuem para afastá-los – e as instituições dão sinais de fadiga e stress antes mesmo de haver revelações significativas sobre a relação de Daniel Vorcaro com líderes de partidos (exceção feita à revelação da relação comercial entre o banqueiro e o ministro Dias Toffoli).
No carnaval, Lula conseguiu se indispor com o MDB, os evangélicos, os católicos e os ruralistas em razão do papel que a escola de samba atribuiu a cada um no desfile que homenageou sua personalidade. Além disso, uma série de questionamentos jurídicos deve manter o assunto aceso por mais algum tempo, colocando pressão mais uma vez sobre a justiça eleitoral em ano de eleição.
No caso Master, antes mesmo da folia, circulou entre ministros do STF a suspeita de que a PF investigou as relações entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro a mando de Lula e o clima entre Judiciário e Executivo deixou de ser de parceria e passou a ser de desconfiança.
Ainda no STF, ninguém sabe quem gravou e divulgou a reunião na qual foi decidido que Toffoli deveria deixar o Master. Há mal-estar entre os ministros e, apesar da estratégia “STF Futebol Clube” proposta por Flávio Dino, na qual os ministros deveriam ser unir para enfrentar detratores, a sensação é que o corporativismo demonstrado no caso do 8 de janeiro pode não ser visto dessa vez.
Alexandre de Moraes ordenou uma devassa na Receita Federal para saber quem vazou dados fiscais da sua esposa. Foi rebatido pela imprensa, que coloca em dúvida a legalidade do instrumento utilizado para isso sofreu críticas do presidente do sindicato dos auditores da Receita, que acusou conduta abusiva.
Por fim, a senadora Teresa Cristina, do PP, rebateu o presidente do seu partido, senador Ciro Nogueira, quanto a uma nota de solidariedade ao ministro Dias Toffoli por, suspostamente, estar sendo vítima de um comportamento lavajatista por parte da PF. Ao fazer isso, ela indica quem nem toda a direita aceita um comportamento conservador e moderado em relação às investigações, dando sinal que cada um que assuma a sua culpa.
Todas essas fissuras sugerem que o cenário do acordão nem de longe parece ser o mais provável e o que está sinalizado no horizonte é um processo de apuração de irregularidades enredado por um clima de competição entre os atores. Um cenário contextual bem parecido com o que se viu na Lava Jato.


