Ficção e realidade, juntas e misturadas (por Mirian Guaraciaba)
Lewandowiski assume uma combalida área de segurança pública
atualizado
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DNA do Crime” retrata o domínio das cidades por criminosos, prática brasileira aterrorizante
A série da Netflix estreou em novembro e vem colecionando sucesso, aqui e no mundo. Em 71 países, inclusive Estados Unidos, a produção ficou no top 10 por várias semanas. É o Brasil exportando cultura. E um produto genuinamente nacional: o crime organizado, sua criação, montagem, confecção, formação e resultado.
“DNA do Crime” conta o mega assalto ocorrido em 2017, em Ciudad Del Este, no Paraguai. Como na realidade, a ficção mostra como o crime foi praticado. Mais de 30 bandidos invadiram e roubaram uma seguradora de valores, na mesma cidade paraguaia. Delinquência com dupla cidadania.
Na série, agentes da Policia Federal de Foz do Iguaçu investigam o crime, seguindo o rastro das amostras de DNA deixadas pelos bandidos, Descobrem não só a participação deles em outros crimes, como o planejamento de um assalto ainda mais aterrador. Na realidade, foi exatamente isso que aconteceu. A PF, pelo feito, ganhou o “Oscar do DNA”, ou “DNA Hit of the year”.
Tudo tão grave, tão assustador. São fatos? Desvarios? Na série, “Sem Alma”, o bandido que costura os fatos, é inspirado em Coitote, alcunha de Manoel do Nascimento, preso em 2018, condenado a 44 anos pelo assassinato de um agente penitenciário. Desferiu 23 tiros contra o agente. “Sem alma” liga os perversos. Sua organização criminosa – na real, várias organizações criminosas – é tratada como “família”. Tem mano, embaixador, papai, mamãe. As histórias da ficção se misturam à realidade. Mas os fatos superam os delírios.
Ricardo Lewandowiski, que assumiu nesta segunda a pasta da Justiça, no segundo ano do governo Lula, tem muitos desafios pela frente. A expansão do crime organizado, suas raízes e seus tentáculos certamente é o maior deles. A gestão do ex-ministro do STF não pode ser apenas mais um capítulo desse enredo abjeto e desprezível.
MARIELLE – O mandante do assassinato de Marielle tem foro privilegiado. É do jogo. Nada de novo. O crime ascende.


